Confirmação da Presença do Peixe-Boi Africano no Sistema do Rio Kouilou, Congo

Editado por: Olga Samsonova

Uma iniciativa de conservação confirmou a presença do peixe-boi africano (*Trichechus senegalensis*) no ecossistema do Rio Kouilou, na República do Congo. Esta observação é significativa, pois a espécie, classificada como Vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN, não havia sido documentada anteriormente neste trecho específico do rio, o que ressalta a fragilidade deste mamífero aquático herbívoro.

A validação da presença foi alcançada por meio de uma colaboração estratégica entre a associação Tursiops, sediada em Maiorca, e o Instituto Jane Goodall (JGI), fornecendo suporte essencial para a expansão da Reserva Natural de Tchinpounga. Os pesquisadores relataram observações diretas, incluindo o avistamento de uma díade composta por mãe e filhote, apesar das condições de visibilidade limitadas impostas pela água turva do rio. A equipe da Tursiops complementou o monitoramento visual com a coleta de dados bioacústicos por meio do uso de hidrofones e do treinamento de pessoal local.

Estudos recentes conduzidos em 2025 reforçaram esta confirmação através de técnicas avançadas, como o uso de DNA ambiental (eDNA) e câmeras subaquáticas. O eDNA, uma abordagem não invasiva, demonstra-se promissor para a detecção de espécies crípticas ou de baixa densidade, auxiliando na delimitação de habitats e áreas de uso intenso dos peixes-bois. Em resposta a estes dados, foram propostas medidas de manejo conservacionista, com destaque para o estabelecimento de zonas de exclusão para embarcações motorizadas, visando mitigar perturbações diretas ao habitat.

O peixe-boi africano, o único sirênio do Velho Mundo, ocupa uma ampla distribuição que se estende do Senegal a Angola, habitando desde ilhas oceânicas do Atlântico até rios interiores. A fragmentação do habitat e o isolamento de populações são ameaças conhecidas decorrentes da construção de barragens hidrelétricas e do desenvolvimento agrícola na região. O Instituto Jane Goodall, através do Centro de Reabilitação de Chimpanzés de Tchimpounga, adjacente ao Rio Kouilou, atua na proteção da vida selvagem local desde 1992, utilizando a reserva de 70 quilômetros quadrados como barreira natural contra caçadores e o avanço urbano.

A confirmação da presença da espécie no sistema do Kouilou sublinha a necessidade de ações coordenadas, alinhadas aos esforços de organizações como a CSO HELP Congo, que desde 2023 mapeia áreas de alimentação e investiga pressões antrópicas, como pesca artesanal e mineração de ouro, na vizinha Lagoa de Conkouati-Douli. A integração destes dados geolocalizados modernos com o conhecimento tradicional é fundamental para a sobrevivência desta população, que enfrenta perigos como a caça furtiva e a captura acidental em redes de pesca, conforme documentado por especialistas que rastrearam espécimes mortos em projetos anteriores.

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Fontes

  • Última Hora

  • O Antagonista

  • UICN

  • ResearchGate

  • SciSpace

  • Marilles Foundation

  • The Guardian

  • Deccan Chronicle

  • IFLScience

  • Chester Zoo

  • Malay Mail

  • Mongabay

  • Chester Zoo

  • SWNS

  • GOV.UK

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