Dieta Vegana Gera Maior Perda de Peso e Benefícios Metabólicos que a Mediterrânea, Aponta Estudo
Editado por: Olga Samsonova
Uma investigação clínica recente, conduzida pelo Physicians Committee for Responsible Medicine (PCRM), demonstrou que a adesão a um regime alimentar vegano de baixo teor de gordura resultou em perda de peso mais significativa e melhorias metabólicas superiores em comparação com a dieta mediterrânea tradicional. O estudo cruzado acompanhou 62 adultos com sobrepeso durante um período de dezesseis semanas, sem impor restrições calóricas formais a nenhum dos grupos. Os participantes veganos consumiram uma dieta composta por frutas, vegetais, grãos e feijões, enquanto o grupo mediterrâneo incluiu frutas, vegetais, leguminosas, peixe, azeite de oliva e laticínios com baixo teor de gordura.
Os desfechos positivos observados no grupo vegano incluíram avanços notáveis na composição corporal, um aumento na sensibilidade à insulina e uma redução mais expressiva nos níveis de colesterol, em comparação com o grupo mediterrâneo. A Dra. Hana Kahleova, diretora de pesquisa clínica do PCRM e principal autora do estudo, indicou que os benefícios persistem mesmo quando a dieta vegana incorpora itens classificados como menos nutritivos, como batatas e grãos refinados. Esta análise secundária de um estudo anterior do PCRM sugere que a exclusão de produtos de origem animal e óleos, elementos presentes na dieta mediterrânea, é um fator determinante para a obtenção de benefícios metabólicos mais robustos.
Em termos de resultados quantificáveis, o grupo vegano registrou uma perda de peso média de 6,0 kg, enquanto o grupo mediterrâneo não apresentou perda de peso significativa. Além disso, a dieta vegana reduziu o colesterol total em quase 19 pontos, contra apenas 3 pontos na dieta mediterrânea. Embora ambas as dietas tenham contribuído para a redução da pressão arterial, o padrão mediterrâneo demonstrou uma ligeira vantagem nesse marcador específico, possivelmente devido aos polifenóis presentes no azeite de oliva.
A análise secundária do estudo também revelou que a dieta vegana de baixo teor de gordura reduziu em 73% os compostos inflamatórios dietéticos prejudiciais, conhecidos como produtos finais de glicação avançada (AGEs), em contraste com nenhuma redução observada na dieta mediterrânea. A exclusão de carne, a minimização de gorduras adicionadas e a ausência de laticínios foram os principais fatores dessa redução de AGEs no grupo vegano. A Dra. Kahleova destacou que a alimentação vegana, ao evitar produtos animais, que são geralmente mais ricos em AGEs, pode contribuir para desacelerar o processo de envelhecimento.
Complementarmente, a dieta vegana demonstrou um impacto ambiental total 44% menor do que a dieta mediterrânea em um estudo comparativo, com o consumo de carne e laticínios sendo apontado como fator crítico para os danos ecossistêmicos. O Dr. Neal Barnard, presidente do PCRM, observou que a percepção popular de que a dieta mediterrânea é a ideal para a perda de peso não se sustenta consistentemente nos dados científicos. Por outro lado, a médica nutróloga Marcella Garcez, que não participou do ensaio, contextualizou que o padrão mediterrâneo é tradicionalmente focado na longevidade saudável a longo prazo, e não primariamente na redução de peso.
É fundamental ressaltar que, apesar da superioridade demonstrada em certos desfechos metabólicos, o planejamento nutricional rigoroso é crucial na adoção de um regime vegano. A exclusão total de produtos de origem animal pode resultar em deficiências de nutrientes essenciais, como vitamina B12, ferro, zinco, cálcio e vitamina D, exigindo suplementação adequada sob orientação profissional para prevenir déficits neurocognitivos e anemia.
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Fontes
O POVO Mais
O POVO+
Bibliomed
FTH News
AppBrain
Physicians Committee for Responsible Medicine
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