Fibra Alimentar Ascende como Foco Nutricional Central, Desafiando a Proteína

Editado por: Olga Samsonova

Analistas do setor industrial apontam uma transição paradigmática no cenário da nutrição, posicionando a fibra alimentar como o próximo macronutriente de destaque, sucedendo o foco intenso na proteína que dominou o mercado recentemente. Essa mudança reflete uma crescente conscientização do consumidor, notadamente impulsionada pela Geração Z e sua adesão à prática do "fibermaxxing", que prioriza a saúde intestinal através de dietas ricas em fibras. A influência dessa demanda juvenil já pressiona fabricantes de alimentos e redes varejistas globalmente a reformularem seus portfólios.

Ramon Laguarta, CEO da PepsiCo, endossou essa perspectiva ao declarar que a fibra se estabelecerá como a "próxima proteína", sublinhando a deficiência crônica desse componente na dieta do consumidor americano. Esse movimento de valorização da fibra está reconfigurando as prateleiras dos supermercados. Lojas como a Whole Foods Market antecipam um aumento significativo na visibilidade das alegações de teor de fibra nos rótulos de produtos essenciais, abrangendo categorias como massas, pães e barras nutricionais. Essa tendência acompanha um panorama mais amplo onde os consumidores buscam benefícios que transcendem a estética física, focando em longevidade e saúde metabólica.

Pesquisas indicam que a ingestão adequada de fibras está ligada a uma menor incidência de doenças cardiovasculares, diabetes e certos tipos de câncer. A fibra alimentar, definida como a porção vegetal de um alimento resistente à digestão humana, desempenha papéis cruciais no organismo, como a regulação dos níveis de açúcar no sangue e a promoção de uma microbiota intestinal robusta. Existem dois tipos principais: a solúvel, que auxilia no controle do colesterol, e a insolúvel, que adiciona volume às fezes, sendo vital para a regularidade intestinal. No Brasil, o consumo médio diário de fibra é de apenas 15 gramas, aquém da recomendação mínima de 25 gramas, evidenciando o déficit que a indústria busca suprir.

Contudo, especialistas em nutrição alertam para a necessidade de discernimento na adoção dessa nova onda. A recomendação primária permanece a obtenção de fibras através de fontes alimentares integrais, como frutas, vegetais e leguminosas, em detrimento da dependência exclusiva de opções processadas enriquecidas. A nutricionista Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), adverte que o termo "funcional" em bebidas não é automaticamente sinônimo de saudável, pois produtos ultraprocessados podem conter aditivos e excesso de açúcar mesmo com a adição de fibras. Essa cautela é fundamental, pois o foco deve ser na qualidade da fibra, como a inulina ou a PHGG, que oferecem benefícios específicos.

O cenário atual, onde a fibra se torna um diferencial competitivo, espelha a trajetória anterior das proteínas. A PepsiCo, por exemplo, já está introduzindo versões com prebióticos em refrigerantes tradicionais e desenvolvendo linhas de café com proteína e fibra, visando atender a essa demanda por alimentos multifuncionais. A conscientização sobre a fibra, que no TikTok já ultrapassou 150 milhões de visualizações com as hashtags relevantes, sinaliza que o consumidor está ativamente buscando informações para otimizar sua saúde digestiva e metabólica, exigindo transparência e qualidade dos ingredientes.

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Fontes

  • economic.bg

  • WGHN

  • Tata 1mg Capsules

  • Bay State Milling

  • Athletech News

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