Tédio: Risco Metabólico Equiparável ao Consumo de Açúcar, Apontam Pesquisadores Espanhóis
Editado por: Olga Samsonova
Pesquisas conduzidas na Espanha identificaram o tédio como um fator de risco metabólico de considerável relevância, equiparando-se, em seu impacto potencial, ao consumo excessivo de açúcares. Este achado lança luz sobre a alimentação emocional, um comportamento frequentemente caracterizado pela ingestão de alimentos ultraprocessados, procurados pelo cérebro em um esforço para obter uma liberação rápida de dopamina. Essa busca por prazer imediato desvia a atenção de opções nutricionalmente superiores, culminando em padrões alimentares desequilibrados e, consequentemente, no aumento de peso corporal.
Investigadores de referência na Espanha, como Dolores Corella e Jordi Salas-Salvadó do CIBERobn, têm concentrado seus estudos em como fatores não calóricos, incluindo o estado emocional e a predisposição genética, moldam o peso corporal. Os resultados apontam que o tédio constitui um risco metabólico tão tangível quanto o açúcar. A atração por alimentos ultraprocessados está intrinsecamente ligada à ativação dos circuitos de recompensa dopaminérgicos, um mecanismo que se assemelha à forma como certas substâncias com potencial aditivo atuam no organismo. O cérebro, ao detectar uma carência de estímulo causada pelo tédio, busca a via mais expedita para o prazer; um simples fruto, como uma maçã, raramente satisfaz essa demanda, que prefere a combinação de gorduras e açúcares refinados para gerar um pico de dopamina.
Um aspecto particularmente preocupante, evidenciado em estudos com a população espanhola, reside no hábito do lanche noturno, que se mostra especialmente prejudicial para indivíduos portadores da variante do gene MTNR1B. Este marcador genético específico compromete a tolerância à glicose quando a ingestão alimentar ocorre tardiamente, um período em que a presença de melatonina é natural, o que resulta em uma desregulação dos ritmos circadianos. A Síndrome Metabólica, um aglomerado de fatores de risco como hipertensão e hiperglicemia, afeta uma parcela significativa da população mundial, com prevalências estimadas entre 20% e 25% em adultos globalmente.
Para mitigar esses riscos metabólicos e comportamentais, contramedidas dietéticas têm sido propostas com forte respaldo em evidências científicas. O aumento da ingestão de fibra alimentar, proveniente de vegetais e frutas, é uma estratégia recomendada, sustentada pelos resultados obtidos no estudo PREDIMED. Este ensaio clínico randomizado espanhol avaliou a prevenção primária de doenças cardiovasculares em indivíduos de alto risco. O modelo da Dieta Mediterrânea, quando enriquecido com azeite de oliva extravirgem ou oleaginosas como nozes, demonstrou promover uma saciedade mais duradoura, auxiliando no combate aos desejos por lanches processados. Pesquisas indicam que a adesão a este padrão alimentar pode reduzir em até 30% as mortes por problemas cardiovasculares.
Como orientação prática para a gestão do comportamento alimentar, especialistas sugerem a implementação de rotinas alimentares estritas, como a prática de jantares precoces. Esta medida visa estender o período de jejum noturno de forma natural, diminuindo as janelas de oportunidade para o consumo impulsivo de alimentos. A Dra. Ramon Estruch e colaboradores, do CIBERobn em Barcelona, Espanha, destacaram que seguir este regime rico em gorduras saudáveis, sem restrição calórica, não acarreta ganho de peso, fornecendo suporte para o aconselhamento público sobre a não restrição de gorduras benéficas para a saúde cardiometabólica.
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Fontes
Xataka
EL PAÍS
Xataka
Canal Diabetes
ELLE
CIBEROBN
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