Platina Dispara a Máximas Históricas Impulsionada por Escassez de Oferta e Mudanças na Política da UE
Editado por: Svetlana Velgush
Na sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, os mercados globais de commodities testemunharam uma valorização expressiva no preço da platina, que atingiu um novo patamar recorde absoluto. Os valores do metal subiram para US$ 2.413,62 por onça troy às 03:04 GMT, conforme um dos relatórios, representando um aumento de 8% na sessão de negociação. Outra fonte indicou uma alta de 6,60%. Este salto culminou um rali substancial: desde o início do ano corrente, o metal acumulou uma valorização superior a 150%, marcando o maior ganho anual registrado desde que a Bloomberg iniciou a coleta de dados em 1987. O avanço atual foi sustentado pela décima sessão consecutiva de valorização, a sequência mais longa observada desde 2017.
O principal motor por trás dessa escalada de preços reside no desequilíbrio crítico entre a demanda e a oferta. Este cenário foi agravado por sérios contratempos na produção na África do Sul, o maior produtor mundial de platina. O Conselho Mundial de Investimento em Platina (WPIC) projeta um déficit de oferta de aproximadamente 692.000 onças ao final de 2025, configurando o terceiro ano consecutivo de escassez. Tal déficit já consumiu 42% dos estoques disponíveis, deixando a cobertura da demanda com reservas para menos de cinco meses. Adicionalmente, a incerteza gerada pela investigação da Seção 232 de Washington pode restringir o acesso a mais de 600.000 onças de platina mantidas em depósitos nos Estados Unidos, intensificando a pressão no mercado.
Um segundo fator decisivo que influenciou o sentimento dos negociadores foi a revisão da política da Comissão Europeia referente aos motores de combustão interna (MCI). O plano original de banir completamente a venda de novos veículos com MCI até 2035 foi suavizado, uma notícia bem recebida por montadoras europeias como BMW, Volkswagen e Mercedes-Benz. A nova estrutura, mais flexível, exige uma redução de 90% nas emissões de CO₂ até 2035, permitindo o uso de biocombustíveis e combustíveis sintéticos para compensar os 10% restantes. Essa moderação beneficiou o consumo industrial de platina, essencial em catalisadores, pois a desaceleração na transição para veículos elétricos mantém a demanda por sistemas de propulsão tradicionais.
O aspecto do investimento também desempenhou um papel significativo na dinâmica dos preços. Observou-se uma notável migração de capital para longe do ouro, que, apesar de ter subido 65% no ano, foi superado pela platina, que avançou 120% no mesmo período. As elevadas taxas de empréstimo da platina em Londres, que chegaram a cerca de 14% para o prazo de um mês, sinalizam a relutância dos detentores em se desfazerem do metal devido aos baixos níveis de estoque. Analistas apontam para uma disputa acirrada entre três polos — EUA, Europa e China — pelo metal, com os contratos futuros recentemente lançados na Bolsa de Futuros de Guangzhou atraindo especuladores.
A situação da oferta em 2025 é marcada por uma queda de 5% na produção primária, totalizando 5,51 milhões de onças, um volume 10% abaixo da média pré-pandemia. A produção russa de platina alcançou 677 mil onças, representando um recuo de 1% em relação ao ano anterior. Embora os preços mais altos tenham impulsionado a reciclagem secundária em 7%, esse aumento não foi suficiente para compensar a redução na mineração primária. Analistas técnicos destacam o crescimento parabólico da platina, que tirou da estagnação de vários anos as ações de empresas de mineração, como a sul-africana Valterra. Prevê-se que o mercado só retorne a um equilíbrio em 2026, com um ligeiro excedente de 20 mil onças, o que, contudo, não deve aliviar a tensão atual do mercado.
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Fontes
Reuters
TRADING ECONOMICS
MINING.COM
CME Group
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Whalesbook News Team
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