Transmissão Cultural de Caça por Rede de Bolhas em Jubartes na Colúmbia Britânica

Editado por: Olga Samsonova

Baleias-jubarte na região norte da Colúmbia Britânica demonstram uma notável capacidade de aprendizado cultural ao assimilar e disseminar a tática de caça cooperativa conhecida como alimentação em rede de bolhas. Este comportamento orquestrado envolve um indivíduo vocalizar enquanto outros membros do grupo expelem um anel de bolhas para encurralar presas, como o arenque, antes de um avanço sincronizado para a alimentação na superfície. Pesquisadores têm monitorado a propagação desta modalidade de forrageamento através das redes sociais desses cetáceos ao longo das últimas duas décadas.

Um estudo longitudinal de vinte anos, conduzido em colaboração entre a organização BC Whales e a Universidade de St Andrews, validou a transmissão social deste conhecimento de forrageamento no ecossistema do Fiorde de Kitimat. A investigação abrangeu um total de 526 espécimes, dos quais 254 demonstraram empregar ativamente esta técnica aprendida. Este método, que utiliza as bolhas para criar uma barreira física que aprisiona os peixes na superfície, é um testemunho da plasticidade comportamental da espécie, otimizando a captura de alimento.

A crescente adoção da alimentação em rede de bolhas é um fator de importância crítica para a recuperação da população de jubartes na área, que atualmente ultrapassa a marca de 500 indivíduos. Especialistas salientam que a preservação deste conhecimento cultural é fundamental para a adaptação da espécie frente às contínuas alterações no ambiente oceânico. A capacidade de desenvolver táticas cooperativas, como a rede de bolhas, reflete uma resiliência que transcende a adaptação biológica, situando-se no domínio da cultura animal.

Contudo, esta área de forrageamento vital enfrenta pressões crescentes devido à expansão do desenvolvimento industrial e ao aumento do tráfego de navios nas proximidades de Kitimat. Cientistas alertam que a perda de comportamentos culturalmente adquiridos pode ser tão prejudicial quanto o declínio numérico da população. A manutenção de tais ecossistemas, onde o conhecimento é transmitido, é, portanto, uma prioridade de conservação, assegurando o acesso das futuras gerações de jubartes a estas estratégias de sobrevivência complexas.

A pesquisa da Universidade de St Andrews, focada no Nordeste do Pacífico, sublinha como a rede de bolhas é um conhecimento partilhado que fortalece a resiliência populacional. Em paralelo, outras investigações, como as realizadas no Alasca, exploraram táticas complementares, como o uso das longas nadadeiras peitorais para manipular presas, um comportamento denominado *pectoral herding*, que também sugere uma alta capacidade de inovação no forrageamento. A compreensão da complexidade da comunicação e da musicalidade das jubartes, facilitada pela digitalização de dados e inteligência artificial, tem sido crucial para definir a cultura em cetáceos, um processo que se passa entre gerações desde a década de 1970.

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Fontes

  • thepeterboroughexaminer.com

  • Earth.com

  • Science News

  • Science News

  • Science News

  • Science News

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