Impasse em Berlim: Negociações de Paz Ucrânia-EUA Revelam Divergências Territoriais e de Segurança

Editado por: gaya ❤️ one

A capital alemã, Berlim, foi palco, entre 14 e 15 de dezembro de 2025, da segunda rodada de negociações diplomáticas focadas em estabelecer um plano de paz para o conflito Rússia-Ucrânia, definir garantias de segurança de longo prazo para Kiev e coordenar esforços de estabilização econômica. Os encontros, sediados pelo Chanceler alemão Friedrich Merz na Chancelaria, reuniram delegações de alto nível da Ucrânia e dos Estados Unidos, mas terminaram sem um acordo imediato, sublinhando a persistência de pontos de discórdia fundamentais.

O principal obstáculo reside na proposta de paz americana de 20 pontos, que, segundo relatos, exigia que a Ucrânia cedesse o controle total das regiões de Donbas, especificamente Donetsk e Luhansk, uma condição veementemente rejeitada por Kiev. Em um movimento tático, a delegação ucraniana, que incluía o Secretário do Conselho de Segurança Nacional, Rustem Umerov, e o Chefe do Estado-Maior, Andrii Hnatov, indicou a disposição de abandonar a aspiração constitucional de adesão à OTAN. Este potencial compromisso ucraniano visa obter, em troca, garantias de segurança juridicamente vinculativas, inspiradas no Artigo 5º da OTAN, com o suporte dos EUA, Europa, Canadá e Japão, conforme manifestado pelo Presidente Volodymyr Zelenskyy.

A delegação norte-americana foi composta pelo Enviado Especial do Presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e seu assessor Jared Kushner, figuras com histórico de diplomacia direta, que se reuniram previamente com Vladimir Putin em Moscou em 2 de dezembro de 2025. Enquanto Witkoff classificou a sessão inicial como construtiva, o Conselheiro ucraniano Dmytro Lytvyn ponderou que as esperanças expressas por Umerov eram para o futuro, não para uma resolução imediata. Paralelamente, Zelenskyy manteve encontros com o Presidente alemão Frank-Walter Steinmeier e tinha agendada uma reunião com líderes da OTAN/UE, como o Secretário-Geral Mark Rutte, para alinhar posições.

As posições russas, comunicadas pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, e pelo Ajudante Presidencial Yuri Ushakov, permaneceram inflexíveis, confirmando que a recusa formal da Ucrânia em ingressar na OTAN é um pré-requisito para qualquer acordo, mas alertando para "fortes objeções" a emendas relativas a questões territoriais. Uma análise do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) sugere que o Kremlin está se posicionando para rejeitar as propostas, mantendo uma linha dura sobre os territórios ocupados. As divergências territoriais são acentuadas por pesquisas do KIIS de 15 de dezembro, que indicaram que 72% dos ucranianos apoiariam um congelamento da linha de contato com garantias de segurança, mas 75% se opõem a planos que exijam concessões territoriais.

A perspectiva europeia, representada pela Chefe de Política Externa da UE, Kaja Kallas, enfatizou que arranjos de segurança alternativos devem incluir "tropas reais, capacidades reais", notando que a adesão à OTAN não está mais em discussão internacional, um ponto que contrasta com a pressão dos EUA sobre a questão territorial. A Hungria, através do Ministro Péter Szijjártó, estabeleceu uma "linha vermelha" contra a realocação da missão de treinamento EUMAM para a Ucrânia e criticou o uso de ativos russos congelados como uma "provocação de guerra". O contexto das conversações envolve um plano de 20 pontos revisado, evoluído de um rascunho anterior de 28 pontos de 2 de dezembro de 2025, que era mais favorável a Moscou. Simultaneamente, o Fórum Econômico Germano-Ucraniano abordou a transformação da indústria de defesa, enquanto a UE enfrenta dificuldades em assegurar um mecanismo de financiamento de longo prazo de 90 bilhões de euros. O esforço diplomático em Berlim reflete o delicado equilíbrio entre a busca pela paz e a manutenção da integridade territorial ucraniana, com aliados como o Reino Unido e a França buscando aprimorar as propostas americanas, sentindo-se marginalizados na liderança do processo centrado em Washington.

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