Baleias Gigantes Desempenham Papel Crucial no Sequestro de Carbono Oceânico

Editado por: Olga Samsonova

Pesquisas científicas recentes consolidam o papel fundamental dos grandes cetáceos na moderação do clima global, posicionando-os como sumidouros de carbono vitais. A influência desses animais no ciclo do dióxido de carbono atmosférico é substancial, transcendendo a biologia marinha. Estima-se que um único espécime de grande baleia, ao longo de sua existência, seja capaz de reter aproximadamente 33 toneladas de dióxido de carbono, um volume que supera a absorção de muitas espécies arbóreas no mesmo período, com esse carbono armazenado de forma duradoura em seus tecidos e gordura.

O mecanismo de sequestro de carbono opera em duas frentes principais. A primeira envolve o destino final do animal: após o falecimento, o corpo da baleia afunda no leito oceânico, um evento conhecido como "whale fall". Este processo isola o carbono acumulado nos sedimentos profundos, mantendo-o fora da atmosfera por séculos ou milênios. Estudos indicam que a carcaça de uma baleia típica pode reter cerca de duas toneladas de carbono, um volume comparável ao carbono exportado para um hectare de fundo de oceano abissal em um intervalo de 100 a 200 anos.

Adicionalmente, a contribuição indireta, mas igualmente poderosa, é orquestrada pelo fenômeno denominado "bomba de baleias". Biólogos marinhos, como a Professora Heidi Pearson, destacam que a movimentação e os dejetos desses mamíferos promovem a ciclagem de nutrientes essenciais, como nitrogênio e ferro, nas águas superficiais. Essas fezes funcionam como um fertilizante natural, estimulando o florescimento do fitoplâncton, os organismos fotossintetizantes microscópicos que absorvem vastas quantidades de dióxido de carbono atmosférico e são responsáveis por produzir pelo menos metade do oxigênio respirado.

A recuperação das populações de baleias é, portanto, vista como uma estratégia de baixo custo e alta eficácia para fortalecer a capacidade natural do planeta de armazenar carbono, uma abordagem que cientistas denominam "tecnologia da terra" para o sequestro de carbono. Relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam que a população atual de baleias confere um valor econômico de mais de US$ 1 trilhão aos serviços ecossistêmicos prestados. O valor conservador de uma única baleia viva, baseado apenas no seu serviço de sequestro de carbono ao longo da vida, foi avaliado em mais de US$ 2 milhões.

Historicamente, a caça comercial reduziu drasticamente essas populações, com estimativas indicando que o número de baleias caiu de 4 a 5 milhões para pouco mais de 1,3 milhão, representando uma redução de cerca de 81% em relação aos níveis pré-industriais. Essa diminuição populacional implica uma perda direta na eficiência da "bomba biológica de carbono". A preservação desses gigantes marinhos constitui uma intervenção climática robusta, aproveitando um processo aperfeiçoado pela natureza ao longo de milhões de anos, o que poderia equivaler ao plantio de quatro florestas da Amazônia em termos de sequestro anual de CO2.

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