
Tartarugas Gigantes Retornam à Ilha Floreana em Marco da Restauração Ecológica em Galápagos
Editado por: Olga Samsonova

Cerca de dois séculos após terem sido erradicadas pela caça à baleia, as tartarugas-gigantes voltaram a percorrer a Ilha Floreana, no arquipélago de Galápagos. Em 20 de fevereiro de 2026, 158 juvenis da linhagem Floreana foram soltos no seu ecossistema nativo, um passo fundamental no ambicioso Projeto de Restauração Ecológica de Floreana, gerido pela Direção do Parque Nacional de Galápagos.
Este evento é considerado um marco significativo por ambientalistas, validando décadas de colaboração entre cientistas, instituições de caridade e a comunidade local, conforme destacado pelo Fundo de Conservação das Galápagos (GCT). A libertação é o culminar de um esforço científico iniciado em 2008 com a identificação de descendentes na Ilha Isabela, no vulcão Wolf. A partir desses achados, foi estabelecido um programa de retro-cruzamento em cativeiro, que começou em 2017, focado na criação seletiva de híbridos para replicar geneticamente a subespécie extinta, a Chelonoidis niger niger.
Os espécimes juvenis, com idades entre 8 e 13 anos, passaram por rigoroso monitoramento e quarentena, sendo equipados com microchips de identificação antes da soltura. Até 2025, o programa de reprodução dirigida havia gerado mais de 600 filhotes, estabelecendo uma base populacional para a reintrodução. O papel destas tartarugas no equilíbrio ambiental é insubstituível, pois são classificadas como espécies-chave e engenheiras do ecossistema, função ecológica ausente por cerca de 200 anos.
A reintrodução só foi viável após a conclusão de um programa de erradicação de espécies invasoras, como roedores e gatos selvagens, iniciado no final de 2023. Este esforço faz parte de um projeto maior que visa reintroduzir um total de doze espécies endêmicas localmente extintas em Floreana. O Projeto de Restauração Ecológica de Floreana, com mais de uma década de planejamento, é um modelo global por ser a primeira iniciativa de restauração em uma ilha habitada, envolvendo ativamente a comunidade local de cerca de 140 a 200 residentes.
O Ministério do Meio Ambiente equatoriano afirmou que a soltura representa a primeira fase de um plano que prevê a reintrodução de 700 animais no total. Os esforços de remoção de invasores, financiados em parte pelo GEF com um investimento de USD 1.940.000 em 60 meses, também visam melhorar a produção agrícola em até 50%. A Dra. Jen Jones, diretora executiva da GCT, ressaltou que este sucesso oferece esperança para futuros projetos de restauração de ilhas em escala mundial, consolidando Floreana como referência em restauração integral.
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Fontes
PlusNews
The Guardian
NASA
Island Conservation
Galapagos Conservation Trust
Galápagos Conservancy
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