
Qualidade Alimentar Supera Contagem Calórica na Prevenção de Doenças Crônicas
Editado por: Olga Samsonova

Especialistas em saúde global estão reorientando a abordagem sobre saúde vascular e mitigação de enfermidades crônicas, priorizando a qualidade intrínseca dos padrões dietéticos sobre a simples quantificação calórica. Esta mudança conceitual reconhece o impacto decisivo da composição dos alimentos no funcionamento dos vasos sanguíneos e na longevidade, sustentada por estudos que estabelecem correlação entre dietas ricas em gorduras saturadas e açúcares e o aumento do risco cardiovascular.
A dieta ocidental atual é caracterizada por uma deficiência acentuada de fibras e alimentos integrais de origem vegetal, em contraste com a ingestão elevada de açúcares adicionados e gorduras saturadas. A preocupação central reside no consumo de Alimentos Ultraprocessados (AUPs), conceito cunhado pelo NUPENS/USP, que se refere a produtos submetidos a múltiplos processos industriais e que contêm aditivos químicos. Em alguns países de alta renda, os AUPs podem constituir até 58% da energia diária total consumida, refletindo um crescimento de 60% no consumo industrializado nos Estados Unidos ao longo dos últimos 45 anos, abrangendo 93 países.
Um foco regulatório específico recai sobre as carnes processadas, classificadas como carcinógenos do Grupo 1. Em resposta, a Comissão Europeia reduziu unanimemente os limites permissíveis de nitritos e nitratos como aditivos alimentares a partir de 6 de outubro de 2023, como parte do Plano Europeu de Luta contra o Câncer. Esta decisão, fundamentada em avaliação científica da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), visa diminuir a exposição a nitrosaminas cancerígenas, mantendo a proteção contra patógenos como a Listeria. Em paralelo, alternativas vegetais, como o tofu defumado, ganham espaço em alinhamento com a tendência plant-based.
Problemas metabólicos, como a resistência à insulina, que afetam jovens entre 30 e 40 anos, são frequentemente associados ao consumo de bebidas açucaradas e produtos de panificação comerciais. A recomendação enfática é a substituição por preparações caseiras que utilizem grãos integrais, preservando o farelo, o gérmen e o endosperma, o que garante a retenção de minerais essenciais, como o magnésio, que auxilia no relaxamento vascular, além de fibras e vitaminas. A ingestão de frutas inteiras, ricas em doçura natural e fibras, é preferível ao açúcar adicionado, diretamente correlacionado a distúrbios metabólicos.
O consumo frequente de fast food está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento de hipertensão, enquanto refeições preparadas em casa elevam o valor nutricional geral. Alimentos como batatas fritas e cereais matinais açucarados são desaconselhados devido ao alto teor de sal e gordura e à baixa saciedade, sendo recomendado o método de assar em vez de fritar. Pesquisadores, incluindo Carlos Monteiro, que cunhou o termo AUPs, concordam que a redução desses itens industrializados e o aumento da dependência de vegetais integrais são cruciais para a saúde a longo prazo. A Unicef também destaca que esses produtos formulados para lucro substituem alimentos nutritivos na dieta infantil, reforçando a estratégia de valorizar a qualidade nutricional complexa por meio da inclusão de vegetais como couve e brócolis para controle da pressão arterial e redução da inflamação circulatória.
25 Visualizações
Fontes
Plantbased Telegraf
The Guardian
HHS, FDA and USDA Address the Health Risks of Ultra-Processed Foods
Congress Says Dietary Guidelines Needed for Americans with Chronic Disease
Nutrition for Healthspan Initiative Trends for 2025 - Global Wellness Institute
Leia mais notícias sobre este tema:
Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.



