Pesquisa Científica Corrobora a Complexidade do Luto em Animais Domésticos

Editado por: Olga Samsonova

A perda de um animal de companhia desencadeia um impacto profundo nos lares, e investigações recentes confirmam que cães e gatos manifestam respostas complexas de ausência e dor emocional. Essa validação científica eleva o status do sofrimento animal, alinhando-o a reações mais amplamente reconhecidas. Estudos indicam que a intensidade desse luto pode ser comparável à perda de um familiar humano, desafiando percepções sociais que historicamente minimizam essa dor, um fenômeno por vezes classificado como luto desautorizado.

A base neurobiológica para essa resposta reside nos sistemas de ligação que mamíferos compartilham com os humanos, os quais são regulados por neuroquímicos cruciais como a ocitocina, associada ao bem-estar e ao vínculo social, e o cortisol, hormônio ligado ao estresse. Quando a figura de apego desaparece, a desestabilização desses sistemas neuroquímicos provoca reações fisiológicas de estresse no animal. Em gatos, pesquisas apontam que níveis elevados de cortisol estão ligados a menor contato social, enquanto a ocitocina pode ter uma função diferente em comparação com animais tipicamente sociais.

Os comportamentos manifestados refletem a desorganização da rotina estabelecida pelo animal, que reage imediatamente ao desaparecimento do companheiro com ações como a busca persistente ou a espera junto a portas. Em cães, os sinais de pesar incluem letargia, recusa alimentar e alterações na vocalização, com algumas análises notando mudanças significativas nos padrões de apetite e comunicação. Para os felinos, o luto tende a ser mais discreto, apresentando-se como maior isolamento, redução nos hábitos de higiene ou variações na demonstração de afeto.

Uma pesquisa com mais de 400 tutores de gatos, conduzida pela Universidade de Oakland, nos Estados Unidos, sugeriu que os felinos podem sofrer de maneira similar aos cães pela perda de um companheiro, mesmo tendo evoluído de um ancestral menos social. Especialistas em comportamento veterinário enfatizam que a manutenção de rotinas diárias consistentes serve como um ponto de apoio psicológico vital para os animais em processo de luto. Adicionalmente, para processar a finalidade da perda, alguns especialistas sugerem que permitir que os animais sobreviventes vejam ou cheirem o companheiro falecido pode ser benéfico.

Pesquisas indicam que, embora a maioria dos pets retorne ao comportamento normal em até seis meses, sintomas severos, como a recusa prolongada em comer, exigem avaliação veterinária imediata para descartar complicações médicas, como a lipidose hepática em gatos, que pode ser fatal. O reconhecimento social dessa dor é um ponto crítico, pois a falta de validação pode agravar o sofrimento do tutor e, por extensão, do animal. Estudos realizados no Reino Unido e nos Estados Unidos demonstram que a interrupção do companheirismo incondicional gera um vazio existencial, sendo processado pelo cérebro como um trauma severo.

Em levantamentos, como o publicado na revista científica Plos One, 21% dos entrevistados relataram que a perda do pet foi mais dolorosa que a morte de um parente, e o risco relativo de luto prolongado associado à perda de um animal foi estimado em 1,27. A quebra desses vínculos profundos e rotinas estabelecidas exige um suporte humanizado, como defendido por memorialistas de animais, para garantir dignidade ao processo de despedida. A ciência, ao confirmar a base neuroquímica e comportamental do luto animal, pavimenta o caminho para abordagens mais empáticas e um suporte mais robusto para as famílias multiespécies.

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Fontes

  • ArcaMax

  • Funeral.com

  • Horse & Hound

  • The American College of Veterinary Behaviorists

  • PetMD

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