Aumento de Tartarugas Verdes na Ilha de Raine Confirma Sucesso de Projeto de Recuperação de Habitat

Editado por: Olga Samsonova

Esforços de conservação em larga escala na Ilha de Raine, reconhecida como o maior sítio de nidificação de tartarugas verdes do mundo, estão demonstrando resultados positivos para a espécie. Levantamentos realizados no início de 2026 confirmaram a contagem de milhares de tartarugas, solidificando o êxito do Projeto de Recuperação da Ilha de Raine, cuja fase principal foi concluída no final de 2025. Este local possui importância ecológica crucial, sustentando aproximadamente 90% da população de tartarugas verdes do setor norte da Grande Barreira de Corais.

O Projeto de Recuperação da Ilha de Raine foi uma parceria que envolveu a BHP, o Governo de Queensland, a Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, os Proprietários Tradicionais da Nação Wuthathi e a Great Barrier Reef Foundation, com o objetivo de restaurar o habitat essencial. Uma das intervenções centrais, executada durante a 'Operação Duna de Areia', consistiu na movimentação de mais de 15.000 metros cúbicos de areia para remodelar as praias. Essa ação elevou a área de nidificação acima dos níveis de maré alta que ameaçavam a incubação dos ovos, aumentando a área de nidificação viável em cerca de 20 por cento, o que, segundo a Great Barrier Reef Foundation, resultará em uma estimativa de 640.000 filhotes adicionais ao longo dos anos.

Além da engenharia de habitat, a proteção das tartarugas adultas foi uma prioridade, incluindo a instalação de cercas de exclusão para evitar que fêmeas caíssem de penhascos e ficassem presas de costas, um evento fatal. Os Proprietários Tradicionais, incluindo a Nação Wuthathi e a Nação Meriam, aplicam mais de 60.000 anos de Conhecimento Tradicional nas ações de gestão adaptativa do projeto. A colaboração também envolveu a implantação de transmissores de satélite para monitorar os padrões de migração pós-nidificação das tartarugas, fornecendo dados valiosos sobre sua movimentação.

O foco da conservação agora se direciona à mitigação dos efeitos das alterações climáticas, particularmente o aumento das temperaturas que pode desequilibrar a proporção sexual dos filhotes, favorecendo o nascimento de fêmeas. Cientistas alertam que temperaturas de incubação consistentemente elevadas, acima de 30 ºC, podem resultar em ninhadas exclusivamente femininas, ameaçando a viabilidade reprodutiva da espécie a longo prazo. Em resposta, foram iniciados testes inovadores, como a realocação de casais de ovos para locais mais sombreados na Ilha Sir Charles Hardy (Parque Nacional Wuthathi), visando investigar se temperaturas mais baixas podem induzir o desenvolvimento de uma proporção maior de tartarugas machos.

A Ilha de Raine, localizada a aproximadamente 620 km ao norte de Cairns, é um ecossistema vital que, em uma temporada de pico, pode receber até 100.000 tartarugas verdes anualmente para nidificação. A precisão na contagem foi aprimorada em abril de 2025 com o uso de drones, que registraram a maior concentração de tartarugas já documentada, superando métodos anteriores de marcação com tinta não tóxica. Estes resultados demonstram o impacto positivo da intervenção humana direcionada em habitats criticamente importantes no ecossistema da Grande Barreira de Corais.

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Fontes

  • Mirage News

  • Department of the Environment, Tourism, Science and Innovation (DETSI), Queensland

  • Murray Watt

  • Ministers | Queensland Parliament

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