Bancos dos EUA Aceleram Migração para Blockchain Impulsionada por Clareza Regulatória sobre Stablecoins
Editado por: Yuliya Shumai
O cenário financeiro dos Estados Unidos está passando por uma profunda reestruturação, tendo como principal catalisador o estabelecimento de diretrizes regulatórias mais claras para stablecoins e depósitos tokenizados. Um relatório analítico recente do Bank of America aponta que os órgãos reguladores americanos estão ativamente definindo regras mais transparentes. Este movimento está incentivando os grandes bancos a acelerarem a migração de seus processos operacionais para infraestruturas fundamentadas na tecnologia de registro distribuído, ou blockchain.
Essa transição é evidenciada por ações institucionais significativas. O Gabinete do Controlador da Moeda (OCC) concedeu aprovações condicionais a cinco empresas que atuam no setor de ativos digitais. Paralelamente, a Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC) está se preparando para emitir normativas alinhadas com o Ato GENIUS (Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins Act de 2025). As metas regulatórias estabelecem prazos definidos: espera-se que as regras da FDIC sejam finalizadas até julho de 2026 e entrem em vigor em janeiro de 2027. Adicionalmente, em abril de 2025, o Federal Reserve (Fed) retirou a exigência de aprovação prévia para certas atividades criptográficas, migrando para um modelo de monitoramento de supervisão padrão.
Os analistas do Bank of America, notadamente a equipe liderada por Ebrahim Punawala, interpretam as recentes autorizações do OCC como um sinal de crescente aceitação federal da custódia de criptoativos e das stablecoins, desde que padrões rigorosos sejam mantidos. Eles projetam um futuro onde as transações on-chain se tornarão a regra para uma variedade de ativos. O Ato GENIUS institui um regime regulatório federal para stablecoins de pagamento, exigindo que os emissores mantenham reservas equivalentes a, no mínimo, um dólar para cada token emitido, compostas por ativos permitidos, como numerário ou títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo. Travis Hill, presidente interino da FDIC, anunciou que o primeiro conjunto de regras sob o Ato GENIUS será apresentado no final de dezembro de 2025, com foco nos requisitos de capital, liquidez e reservas.
Em paralelo a essas mudanças regulatórias, a infraestrutura interbancária está em plena evolução. Em novembro de 2025, o DBS Bank de Singapura e a unidade Kinexys do JPMorgan anunciaram uma colaboração para desenvolver uma estrutura que garanta a interoperabilidade, permitindo a conexão de transferências de valor tokenizado entre blockchains públicas e privadas. Esta iniciativa aproveita o token existente do JPMorgan, o JPM Deposit Token (JPMD), que está sendo testado na rede pública Base. O objetivo desta parceria é criar verdadeiras “autoestradas de interoperabilidade” para operações transfronteiriças em tempo real. Vale lembrar que DBS e JPMorgan já haviam unido forças anteriormente no Partior, uma fintech que fundaram em 2021 em parceria com a Temasek.
O interesse institucional pela tokenização também é visível em outras instituições. Um relatório de 2024 do Banco de Compensações Internacionais (BIS) revelou que bancos comerciais em quase um terço das jurisdições pesquisadas já implementaram, estão em fase piloto ou investigando projetos de depósitos tokenizados. Contudo, a agência de classificação de risco Fitch adverte que uma exposição significativa a instrumentos de criptoativos nos portfólios pode levar à deterioração das classificações de crédito, devido à volatilidade digital inerente e aos riscos de segurança. Neste contexto, em 10 de dezembro de 2025, o Fed reduziu a meta da taxa de fundos federais em 25 pontos-base, situando-a entre 3,50% e 3,75%. Este foi o primeiro corte de taxa em dois anos e pode influenciar o ritmo de adoção de soluções baseadas em blockchain no setor bancário americano.
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Fontes
CoinDesk
Crypto Briefing
DBS
Wilson Sonsini
The Daily Hodl
AInvest
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