Ouro Dispara a Níveis Recordes Acima de US$ 4.400 com Expectativas de Flexibilização da Política do Fed
Editado por: Yuliya Shumai
Os mercados financeiros globais testemunharam, no final de 2025, uma valorização expressiva dos metais preciosos, sinalizando uma mudança notável nas prioridades dos investidores. Em 22 de dezembro de 2025, o ouro à vista superou a marca de 4.400 dólares por onça, estabelecendo um novo patamar histórico. Este rompimento de preço ocorreu em um cenário de crescentes expectativas de uma maior flexibilização da política monetária pelo Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, somado à demanda tradicional por ativos de refúgio em meio à persistente tensão geopolítica.
Durante as negociações, o preço spot do ouro oscilou entre US$ 4.383,73 e US$ 4.391,92 por onça, enquanto os contratos futuros atingiram picos de US$ 4.415. O rali dos metais preciosos em 2025 evidenciou uma divergência marcante no desempenho dos ativos: a prata registrou um crescimento fenomenal, contrastando com a fraqueza demonstrada pelo Bitcoin, a principal criptomoeda. Um dado estatístico crucial foi o aumento de 138% no valor da prata desde o início do ano, alcançando um pico próximo a US$ 69,44 por onça. A platina também acompanhou a tendência de alta, ultrapassando o nível de US$ 2.040 por onça, conforme observado pelo analista Mario Navfal.
Em contrapartida, o Bitcoin era negociado em torno de US$ 88.890, um valor consideravelmente abaixo de seus próprios recordes históricos, registrando um declínio anual de quase 5% em 2025. O motor por trás da ascensão do ouro, que se projeta para o maior ganho anual desde 1979, reside no panorama macroeconômico atrelado às ações do Fed. A recente redução da taxa de juros pelo Fed reforçou as projeções do mercado sobre um afrouxamento adicional da política em 2026, o que, historicamente, eleva a atratividade de ativos que não geram rendimento, como o ouro.
Analistas, incluindo os da TD Securities, antecipavam que o preço médio do ouro poderia ultrapassar os US$ 4.400 no primeiro semestre de 2026, impulsionado pela política acomodatícia do Fed e pelas contínuas aquisições por parte do setor oficial. Dados de novembro de 2025 indicavam que a probabilidade de uma terceira redução da taxa do Fed em 25 pontos-base até dezembro do ano seguinte se aproximava dos 50%. A escalada vertiginosa da prata, que superou o ouro em termos percentuais de ganho em 2025 (138% contra 67% do ouro), deveu-se não apenas a fatores monetários, mas também a mudanças estruturais.
Especificamente, a prata foi classificada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como um “mineral crítico”. Essa classificação, combinada com a demanda robusta de investidores e as restrições persistentes na oferta, contribuiu significativamente para o seu forte desempenho. A discrepância acentuada entre a performance dos metais preciosos e a do Bitcoin levanta questionamentos sobre o status deste último como o suposto “ouro digital”.
O estrategista Charlie Bilello forneceu dados comparativos que mostram que, desde a estreia dos primeiros ETFs de Bitcoin à vista em janeiro de 2024, o ouro superou o Bitcoin em rentabilidade em 19%. Paralelamente, índices acionários como o Nasdaq avançaram 20,8% e o S&P 500, 16,4% ao longo de 2025, sublinhando uma rotação de capital de ativos criptográficos especulativos para ativos tradicionais e tangíveis. Essa mudança no sentimento dos investidores, que buscam segurança em meio à incerteza monetária, é corroborada pelo fato de que bancos centrais, notadamente o Banco Nacional da Polônia, têm aumentado ativamente suas reservas de ouro ao longo do ano.
4 Visualizações
Fontes
Yahoo! Finance
Gold Price Hit-All Time on December 22 on Rate Cut by US Fed: World Gold Council Expects a Suprise in 2026
Gulf Business
BeInCrypto
The Times of India
Coin Gabbar
Leia mais notícias sobre este tema:
Encontrou um erro ou imprecisão?
Vamos considerar seus comentários assim que possível.
