Análise Sugere que Fóssil 'Little Foot' (StW 573) Pertence a Australopiteco Não Identificado

Editado por: gaya ❤️ one

Uma reavaliação morfológica aprofundada do fóssil de hominídeo conhecido como "Little Foot", formalmente catalogado como StW 573, indica que o espécime pode representar uma linhagem ancestral humana ainda não classificada pela ciência. A pesquisa, publicada no The American Journal of Biological Anthropology, desafia as atribuições anteriores que o associavam ao Australopithecus prometheus ou ao Australopithecus africanus, espécies conhecidas no registro fóssil sul-africano. O Dr. Jesse Martin, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade La Trobe, na Austrália, afirmou que as evidências morfológicas apontam para um "parente humano previamente não identificado".

O espécime StW 573 foi recuperado do complexo de cavernas de Sterkfontein, um sítio patrimônio mundial da UNESCO próximo a Joanesburgo, na África do Sul. A descoberta inicial dos ossos do pé remonta a 1994, embora alguns ossos do calcanhar tenham sido coletados já na década de 1980 e estivessem em coleções de museu. A escavação completa, liderada pelo paleoantropólogo Ronald Clarke, estendeu-se por mais de duas décadas, culminando na apresentação do esqueleto quase completo ao público em 2017. A idade estimada do esqueleto StW 573 é de aproximadamente 3,67 milhões de anos, segundo datações cosmogênicas.

A reavaliação taxonômica utilizou escaneamento tridimensional (3D) para mapear e comparar a anatomia do crânio de Little Foot com espécimes de referência, incluindo o A. africanus e o fragmento MLD 1, que serve como espécime-tipo para o A. prometheus. Os pesquisadores identificaram pelo menos cinco distinções anatômicas significativas, notavelmente na base posterior do crânio, uma região evolutivamente estável e crucial para a diferenciação de espécies. O Professor Andy Herries, também envolvido na pesquisa, notou que a classificação anterior como A. prometheus baseava-se em premissas agora questionadas sobre o comportamento desses hominídeos primitivos.

Adicionalmente, os autores do novo trabalho concluíram que não há suporte morfológico robusto para manter o A. prometheus como espécie separada, sugerindo que ele deva ser considerado sinônimo júnior do A. africanus. As diferenças observadas no Little Foot, como uma protuberância occipital externa mais pronunciada e um plano nucal mais alongado, não se alinham com o MLD 1, que se assemelha mais aos membros consensuais de A. africanus. Os autores optaram por não nomear formalmente uma nova espécie, deixando essa prerrogativa para a equipe de Clarke, que dedicou mais de vinte anos à escavação e análise do fóssil.

Esta complexidade taxonômica em Sterkfontein sublinha a visão contemporânea da evolução humana como um processo intrinsecamente ramificado. O esqueleto StW 573 exibe características mistas, como uma estrutura de ombro que sugere bipedismo no solo, combinada com adaptações para escalada arbórea, indicando um estilo de vida parcialmente arbóreo. A determinação da identidade precisa do Little Foot é fundamental para refinar o entendimento da diversidade de hominídeos que coexistiram no Sul da África durante o Plioceno-Pleistoceno.

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Fontes

  • The Indian Express

  • Science Alert

  • The Guardian

  • Discover Magazine

  • The Independent

  • La Trobe University

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