Descoberta de Lago Ancestral no Rub' al-Khali Revela a Era "Arábia Verde" Submersa

Editado por: Tetiana Martynovska 17

Pesquisas científicas consolidadas entre 2025 e o início de 2026 confirmam que vastas extensões do deserto da Arábia, notadamente o Rub' al-Khali (o Quarteirão Vazio), na Arábia Saudita, já foram paisagens exuberantes, com água, vida selvagem e ocupação humana, antes da desertificação imposta por mudanças climáticas. Este achado desafia a percepção moderna de aridez extrema, revelando um passado hidrológico rico que se estendeu por milênios, com publicações notáveis em periódicos como Communications Earth & Environment.

A colaboração científica envolveu instituições internacionais de prestígio, incluindo a Universidade de Genebra (UNIGE), a King Abdullah University of Science and Technology (KAUST), o California Institute of Technology e a Griffith University na Austrália. Os estudos empregaram uma análise multifacetada de formas de relevo antigas, depósitos sedimentares e dados de satélite para estabelecer evidências inequívocas de ecossistemas prósperos durante fases úmidas cíclicas na Península Arábica. A reconstrução da paisagem aponta para uma rede hidrográfica extinta que transformou a região em um ambiente hospitaleiro.

A revelação mais significativa é a identificação de um lago ancestral soterrado sob as areias do Rub' al-Khali. Em seu auge, esta massa d'água cobriu aproximadamente 1.100 quilômetros quadrados e atingiu profundidades de até 42 metros. Este corpo d'água monumental era quase o dobro da área do Lago Genebra, na Suíça, que possui cerca de 580 km². O acúmulo pluviométrico foi tão intenso que, em um determinado momento, o lago transbordou, esculpindo um vale de 150 quilômetros no leito arenoso do deserto.

Estes períodos de alta umidade, conhecidos como a fase “Arábia Verde”, ocorreram aproximadamente entre 11.000 e 5.500 anos atrás, coincidindo com o final do período Quaternário. A precipitação intensa foi catalisada pela expansão para o norte das monções africanas e indianas, um fenômeno astronômico ligado aos ciclos orbitais da Terra. Sob essas condições, a paisagem se metamorfoseou em pastagens e zonas úmidas, capazes de sustentar uma fauna diversificada, incluindo hipopótamos e crocodilos. A presença de água estabeleceu a Arábia como um corredor migratório vital para as populações humanas que se deslocavam da África para a Ásia.

Achados arqueológicos, como ferramentas de pedra, corroboram a ocupação humana ao longo desses antigos sistemas fluviais e lacustres. O Dr. Michael Petraglia, da Universidade Griffith, confirmou a existência de registros arqueológicos que atestam a presença humana durante esses períodos úmidos. A descoberta de ferramentas líticas, como pontas de flecha, em outros círculos de pedra na região, datados de mais de 7 mil anos, reforça a complexidade da subsistência humana neolítica.

Os cientistas postulam que a região experimentou múltiplas oscilações entre fases úmidas e secas. O último grande ciclo verde findou abruptamente há cerca de 6.000 anos, quando a diminuição da pluviosidade levou ao ressecamento dos lagos e à subsequente reabsorção da paisagem pelas areias, preservando a evidência sob a superfície. Secas posteriores, como o “Milênio Negro” entre 5.900 e 5.300 anos atrás, forçaram migrações dramáticas, com populações se deslocando para a costa do Golfo Pérsico. A compreensão desses ciclos climáticos passados oferece um contexto fundamental para analisar as consequências das atuais mudanças ambientais.

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Fontes

  • MoneyControl

  • The Times of India

  • Université de Genève

  • Popular Mechanics

  • Ynetnews

  • ScienceDaily

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