Adaptação do Sono Equino: Repouso em Pé e a Necessidade do Sono REM Deitado
Editado por: Olga Samsonova
A capacidade dos equinos de descansar em pé é uma adaptação evolutiva fundamental, diretamente ligada à sua história como presas em ambientes abertos. Esta postura de vigília permite uma prontidão imediata para a fuga diante de ameaças percebidas, um mecanismo de sobrevivência herdado. Durante este repouso vertical, o animal pode apresentar sinais de relaxamento parcial, como baixar a cabeça e semicerrar os olhos, enquanto apoia uma das patas traseiras, mantendo-se, no entanto, alerta ao ambiente circundante.
O suporte postural necessário para o repouso em pé é assegurado pelo aparelho de estada, uma estrutura anatômica que inclui ligamentos especializados capazes de travar passivamente as articulações dos membros. Este sistema minimiza o gasto de energia muscular para sustentar o peso corporal, facilitando um estado de ócio que, contudo, não supre a necessidade de sono profundo. Cerca de 80% do descanso total de um cavalo ocorre durante o período noturno, embora seja fragmentado em episódios curtos. A anatomia dos membros equinos, moldada ao longo de milhões de anos, favorece a locomoção eficiente e a economia energética.
Para alcançar o Sono de Movimento Rápido dos Olhos (REM), fase essencial para a consolidação da memória e otimização da função cerebral, o cavalo deve obrigatoriamente transicionar para o decúbito, seja esternal ou lateral. O sono REM é caracterizado pela atonia muscular, o que impede o animal de se manter ereto, forçando-o a deitar-se para entrar nesta fase restauradora. Estudos, como os conduzidos pelo Dr. Neimar Roncati em colaboração com a Universidade de São Paulo, indicaram que a inibição do sono REM por 72 horas em cavalos atletas resultou em perda cognitiva mensurável, incluindo irritabilidade aumentada e declínio no desempenho ao serem montados.
Um cavalo adulto tipicamente necessita entre 30 minutos a duas horas de sono REM em um ciclo de 24 horas. A negligência em prover condições ideais para o repouso deitado pode gerar sérias implicações para o bem-estar equino, conforme alertado por veterinários como o Dr. Tiago Oliveira. A privação crônica do sono profundo pode precipitar colapsos, quedas e o surgimento de lesões abruptas nos membros, além de causar prejuízos cognitivos e de memória. Fatores ambientais, como insegurança ou dor, podem impedir o animal de se deitar, restringindo seu repouso ao modo em pé. Observações em ambientes de competição sugerem que a mudança de local pode reduzir o tempo de repouso em até 90%, evidenciando a importância de um ambiente de baia adequado, com cama apropriada e escuridão total entre meia-noite e 6 horas, em conformidade com regulamentos da Federação Equitação Internacional, para garantir a recuperação muscular e a fixação da aprendizagem.
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Fontes
Postoast
Wikipedia
Onlinepethealth
Encyclopedia Britannica
The Equine Institute
The Indian Express
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