Lobos de Chernobyl Exibem Genes de Resistência ao Câncer em Estudo Genético
Editado por: Olga Samsonova
A Zona de Exclusão de Chernobyl (ZEC), estabelecida após o acidente nuclear de 1986, transformou-se num laboratório natural para a investigação dos efeitos da radiação a longo prazo na vida selvagem. Dentro desta área de acesso restrito, a população de lobos-cinzentos prospera, atraindo o foco de biólogos da Universidade de Princeton. As pesquisas atuais concentram-se em desvendar os mecanismos genéticos que permitem a estes canídeos sobreviver em condições ambientais extremas e altamente contaminadas.
Os lobos que residem na ZEC estão expostos a níveis de radiação significativamente superiores aos limites de segurança humana, recebendo diariamente cerca de 11,28 milirem, um valor superior a seis vezes o limite legal para trabalhadores humanos. Apesar desta exposição, a densidade populacional destes predadores de topo é estimada em sete vezes a de áreas protegidas vizinhas na Bielorrússia. Os cientistas atribuem esta abundância à ausência de pressão antrópica, como a caça, um fator que se destaca quando comparado com reservas não contaminadas onde as populações de outras espécies, como alces e javalis, apresentam níveis de abundância semelhantes.
Investigações científicas revelaram modificações nos sistemas imunológicos destes lobos, apresentando paralelos com observações em pacientes humanos submetidos a radioterapia. Os investigadores conseguiram isolar regiões genômicas específicas que parecem conferir uma defesa contra o risco elevado de desenvolvimento de cancro. O trabalho, que envolveu a recolha de amostras de sangue e o uso de coleiras com GPS e dosímetros de radiação desde 2014, foi apresentado em reuniões científicas em 2024, com um estudo destacado na revista Cancer Research em março daquele ano.
O estudo da Universidade de Princeton, que comparou amostras de RNA de lobos da ZEC (Bielorrússia) com espécimes de Yellowstone, procura identificar redes genéticas ligadas à adaptação imunológica e avaliar a relevância prognóstica desses genes em dados de cancro humano. Shane Campbell-Stanton, colega de Cara Love, indicou que as áreas de evolução mais rápida no genoma dos lobos de Chernobyl estão localizadas em torno de genes conhecidos por desempenhar um papel na resposta imunitária ao cancro em mamíferos. Esta descoberta sugere um processo de seleção natural acelerada, que perpetua a transmissão de genes de resiliência ao cancro, oferecendo um modelo para a compreensão da seleção genética sob stress oncogénico extremo.
A radiação, resultante da explosão do reator em 26 de abril de 1986, que levou à evacuação de mais de 200.000 pessoas, criou este ambiente de pressão seletiva multigeneracional. A identificação destas mutações genéticas específicas abre potenciais vias para a exploração de usos terapêuticos no combate ao cancro em humanos, transformando a ZEC numa fonte de conhecimento científico.
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Fontes
Último Segundo
The Chernobyl Exclusion Zone
Wolves in Chernobyl - Shane Campbell-Staton
Shane Campbell-Staton is Showing the World how Human Activity is Shaping Evolution Right Now | Princeton International
A mutação dos lobos de Chernobyl mostra resistência ao câncer - O Antagonista
Os cães de Chernobyl são azuis. E a ciência descobriu por que - Exame
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