Estudos Revelam Ensaios Mentais de Canto e Voo em Sonhos de Aves
Editado por: Olga Samsonova
Pesquisas recentes têm aprofundado a compreensão sobre a vida mental das aves, indicando que o fenômeno do sonho constitui uma função adaptativa e ancestral no reino animal. A neurociência contemporânea estabelece paralelos funcionais notáveis entre as estruturas cerebrais das aves e as dos mamíferos, apesar das diferenças morfológicas. Especificamente, a Crista Ventricular Dorsal (DVR) nas aves exerce uma função análoga ao neocórtex dos mamíferos, sugerindo uma capacidade subjacente para processamentos cognitivos avançados.
Estudos sistemáticos em aves adormecidas, como pombos, revelaram padrões de atividade cerebral durante o sono REM interpretados como simulações mentais. Nos pombos, a atividade registrada em regiões de processamento visual e navegação espacial aponta para experiências oníricas que envolvem ensaios de voo. Paralelamente, em tentilhões-zebra, a atividade no prosencéfalo durante o sono REM espelhou os padrões de disparo neuronais registrados durante a prática de seus cantos aprendidos no dia anterior, indicando um ensaio vocal noturno.
A análise da atividade cerebral durante o sono em espécies como o bem-te-vi, conduzida por pesquisadores da Universidade de Buenos Aires liderados por Gabriel Mindlin, permitiu a decodificação desses cantos silenciosos noturnos. A medição da atividade muscular vocal com eletrodos de eletromiografia (EMG) possibilitou aos cientistas traduzir a atividade muscular em canções sintéticas. Este feito oferece uma janela inédita para a mente da ave sonhadora, reforçando a ideia de que os sonhos são uma parte íntima da existência partilhada entre espécies distantes.
Um achado evolutivamente significativo reside na observação de atividade semelhante ao sono REM no tronco cerebral de avestruzes, uma estrutura mais primitiva. Esta evidência sugere que o mecanismo fundamental do sonho pode ter se originado nessa parte antiga do sistema nervoso, antes de migrar para porções encefálicas mais anteriores. A presença de circuitos de integração sensório-motora semelhantes aos encontrados no neocórtex dos mamíferos, embora com organização estrutural diferente, apoia a hipótese de uma evolução convergente de capacidades cognitivas complexas.
Essa capacidade de ensaio mental durante o repouso alinha-se com as habilidades cognitivas avançadas demonstradas por aves como corvos e gralhas, incluindo o reconhecimento no espelho. A pesquisa sobre o cérebro aviário indica que o pallium concentra um número de neurônios comparável ao córtex de mamíferos, o que explica a complexidade comportamental observada. Assim, o ensaio de comportamentos complexos, seja o canto aprendido ou a navegação espacial, durante o estado de repouso parece ser um traço evolutivo profundamente conservado.
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Fontes
Max-Planck-Gesellschaft zur Förderung der Wissenschaften (MPG)
The Marginalian
Max-Planck-Gesellschaft
Max-Planck-Gesellschaft
Max Planck Institute for Biological Intelligence
ResearchGate
PubMed
The Tribune
The Marginalian
ScienceDaily
World Animal Foundation
The Hardwick Gazette
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