Discrepância Global Revela Quase Uma Década de Vida Sem Saúde Plena
Editado por: Olga Samsonova
A longevidade crescente em escala global representa uma transformação demográfica significativa, com a expectativa de vida da maioria das pessoas ultrapassando os 60 anos. No entanto, essa extensão da vida cronológica não se traduz uniformemente em qualidade de saúde, estabelecendo uma lacuna notável entre a expectativa de vida total e a expectativa de vida ajustada à saúde (EVAS).
Dados de 2019 ilustram essa disparidade: a média global de EVAS situava-se em 63,3 anos, em contraste com a expectativa de vida média total de 72,5 anos. Este déficit de quase dez anos indica que os anos adicionais de vida estão frequentemente associados a morbidades. Essa disparidade, que registrou um aumento de 13% entre 2000 e 2019, aponta para um desafio na qualidade dos anos conquistados.
As projeções indicam que as disparidades socioeconômicas no envelhecimento se acentuarão, com a previsão de que dois terços dos indivíduos com mais de 60 anos em 2050 residirão em nações de baixa e média renda. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta que determinantes sociais da saúde, como qualidade da moradia, educação e oportunidades de emprego, influenciam drasticamente a longevidade saudável. Em nações com as menores taxas de expectativa de vida, a diferença média na longevidade em relação aos países mais ricos pode atingir 33 anos, sublinhando o impacto do local de nascimento no bem-estar na velhice.
Biologicamente, o envelhecimento é caracterizado pela acumulação progressiva de danos celulares e moleculares que reduzem as capacidades físicas e mentais. A OMS define o cerne do envelhecimento saudável como a otimização da capacidade funcional, que engloba a habilidade de atender necessidades básicas, mobilidade e manutenção de relacionamentos. Em 2021, a OMS estimou que pelo menos 142 milhões de idosos globalmente não conseguiam suprir suas necessidades básicas.
Em resposta a este cenário, a OMS e a Assembleia Geral das Nações Unidas designaram o período de 2021 a 2030 como a Década do Envelhecimento Saudável, uma estratégia global para fomentar sociedades inclusivas para todas as idades. Iniciativas internacionais, como fóruns focados na aplicação de inteligência artificial e biotecnologia, buscam transformar esses anos extras em vidas plenas por meio de ação coordenada. Adicionalmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que o envelhecimento pode reduzir o crescimento global do Produto Interno Bruto (PIB) em até 0,6 ponto percentual anualmente sem intervenções adequadas.
O FMI sugere uma abordagem multifacetada, incluindo o investimento em envelhecimento saudável e o estímulo à permanência de idosos no mercado de trabalho, o que poderia adicionar 0,4 ponto percentual ao PIB global anual entre 2025 e 2050. Fatores ambientais, como moradia acessível, sistemas de transporte funcionais e a adoção de hábitos saudáveis, são pilares para um envelhecimento de qualidade. A desigualdade de gênero também se manifesta na lacuna saúde-vida, com mulheres apresentando uma média de 2,4 anos a mais em anos vividos com saúde comprometida em comparação com os homens globalmente. A implementação de políticas que promovam a equidade é fundamental para garantir que o avanço demográfico seja acompanhado por um avanço na qualidade de vida.
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Fontes
Público.es
CENIE
OMS
Diario Público
OMS
Infobae
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