Fórum Econômico Mundial Alerta para Impacto da IA nas Carreiras Iniciais
Editado por: Olga Samsonova
A Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial (FEM), realizada em janeiro de 2026, focou na crescente influência da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho global. O encontro, sediado na Suíça sob o tema “Um Espírito de Diálogo”, sinalizou uma transição da experimentação para a entrega de resultados concretos em IA, conforme detalhado no relatório Proof over Promise, elaborado em parceria com a Accenture. As projeções conjuntas do FEM e da Bain & Company estimam que os investimentos em aplicações de IA podem atingir 1,5 trilhão de dólares até 2030.
Essa expansão tecnológica, embora geradora de valor, suscita preocupações sobre a marginalização da força de trabalho em estágios iniciais de carreira, particularmente o grupo etário entre 22 e 27 anos. Este segmento, majoritariamente composto pela Geração Z, já enfrentou um marco de disrupção durante a pandemia de COVID-19, que resultou na perda de aprendizado em coortes formativas, como o ano letivo de 2020 na África do Sul. Pesquisas apresentadas no FEM indicam que esta geração agora enfrenta uma desvantagem cumulativa devido à automação impulsionada pela IA.
Lisa Stevens, Chief Administrative Officer da Aon Corporation, destacou que quase 1,1 bilhão de empregos podem ser reconfigurados até o fim desta década. A automatização de tarefas de nível de entrada representa um risco de eliminar caminhos cruciais para o início da carreira, o que, por sua vez, pode enfraquecer o futuro suprimento de competências essenciais para o crescimento econômico. Dados do Relatório Futuro dos Empregos de 2025 do FEM apontam para um deslocamento potencial de 92 milhões de postos de trabalho até 2030, parcialmente compensado por um acréscimo líquido de 78 milhões de novas funções impulsionadas pela tecnologia.
As ocupações mais vulneráveis à substituição por algoritmos incluem entrada de dados, funções administrativas, suporte técnico de primeiro nível e posições básicas de vendas. Nos Estados Unidos, o desemprego entre talentos em início de carreira, na faixa dos 22 aos 27 anos, está em 7,1%, um índice superior à média geral da força de trabalho naquele país. A Geração Z, apesar de nativa digital, demonstra desafios em habilidades interpessoais e senso crítico em ambientes automatizados, o que pode ser exacerbado pela IA, segundo Augusto Narikawa.
Em resposta, a Aon implementou um programa de aprendizado nos EUA, com investimento de 30 milhões de dólares ao longo de cinco anos, visando reexaminar processos de contratação e expandir o conjunto de talentos. Stevens defende que a liderança corporativa deve redefinir o desenvolvimento de carreira inicial, separando atividades rotineiras automatizáveis das oportunidades de desenvolvimento intrínsecas ao cargo. É fundamental que as organizações valorizem a agilidade de aprendizado, a curiosidade e a adaptabilidade, integrando suporte à saúde mental nesses novos percursos profissionais.
Enquanto a IA amplia a capacidade criativa em áreas como desenvolvimento de produtos e estratégias, a visão humana, o julgamento e a decisão final permanecem insubstituíveis, exigindo o desenvolvimento de competências como pensamento crítico e comunicação. A Bain & Company projeta que o mercado de hardware e software de IA pode alcançar 990 bilhões de dólares até 2027. A colaboração entre humanos e tecnologia é o fator determinante para o futuro do trabalho, superando a mera automação.
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Fontes
ITWeb
World Economic Forum Annual Meeting 2026
Sustainability Magazine
Trading Economics
Aon
World Economic Forum
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