Esgotamento Materno em 2026: Foco na Autoexigência Interna como Fator Central

Editado por: Olga Samsonova

A análise da realidade materna em 2026 aponta para um quadro persistente de esgotamento que se origina, fundamentalmente, de uma intensa autoexigência interna, superando o impacto das dificuldades de agenda. Essa pressão intrínseca reflete expectativas sociais que priorizam as responsabilidades domésticas e o cuidado infantil em detrimento do autocuidado feminino, um contraste acentuado com as representações idealizadas veiculadas nas mídias sociais.

Pesquisas recentes confirmam a gravidade do cenário. Um levantamento de 2024, realizado pela Kiddle Pass em colaboração com a B2Mamy, indicou que nove em cada dez mães brasileiras manifestam sinais de burnout parental. A autora Diana Al Azem, fundadora da plataforma Adolescência Positiva e especialista em orientação familiar, confronta o ideal inatingível das "fleximoms" — mães que seriam simultaneamente flexíveis, cuidadosas e empoderadas — com a limitação temporal da vida real, sustentando que o obstáculo principal reside na autocrítica interna.

Para mitigar essa exaustão, Al Azem, que mantém uma comunidade com mais de 600 mil seguidores, recomenda a incorporação de "micromomentos" de autocuidado na rotina, como breves períodos de escuta musical. Adicionalmente, ela oferece validação para a raiva materna, um sentimento frequentemente suprimido pela necessidade de manter uma imagem de perfeição, o que alimenta a culpa pelo não cumprimento de padrões parentais idealizados.

A Síndrome de Burnout, classificada pela OMS como doença ocupacional, manifesta-se no universo parental como burnout materno, assemelhando-se ao cansaço extremo de quem concilia trabalho, lar e filhos. Estratégias de gestão eficazes enfatizam a conexão genuína e a expressão de vulnerabilidade em círculos de apoio mútuo, ou "tribos" de mães. Essa partilha de vivências pode aliviar o julgamento e desafiar a premissa de que a recuperação da identidade pessoal compromete o bem-estar dos filhos.

A aceitação das limitações é um ponto crucial na análise do esgotamento. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo indicou que aproximadamente 30% das mães brasileiras sofrem de burnout materno, sublinhando a necessidade de redes de apoio estruturadas. A psicóloga Evelini Ferraz Rodrigues acrescenta que a culpa materna é uma construção social que atrela o valor da mulher à maternidade, e essa culpa tende a diminuir quando a mãe reconhece a inviabilidade estrutural da demanda imposta. O suporte, conforme sugerido por Jaine Melo, deve ser multifacetado, focando no investimento em saúde mental e na criação de redes confiáveis, especialmente para mães em contextos de vulnerabilidade socioambiental, como as mães solo da periferia, onde o isolamento emocional se intensifica pela ausência de suporte robusto.

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Fontes

  • EL PAÍS

  • Plataforma Editorial

  • Casa del Libro

  • EL PAÍS

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