Onda de Protestos no Irã em Dezembro de 2025: Crise Econômica Desafia o Regime

Editado por: gaya ❤️ one

Uma onda de agitação social varreu o Irã a partir de 28 de dezembro de 2025, com manifestações e greves se alastrando por diversas cidades. O movimento foi catalisado por uma severa crise econômica e a acentuada desvalorização da moeda nacional, o Rial Iraniano (IRR).

A insatisfação inicial concentrou-se na queda do Rial, que alcançou aproximadamente 1,4 milhão de IRR por dólar americano no final de dezembro, representando uma perda de valor superior a dois terços desde 2022. A inflação anual superou os 42,5% em dezembro de 2025, com a inflação alimentar atingindo 57,90% em setembro do mesmo ano, pressionando o poder de compra da população. Este cenário econômico, agravado por sanções internacionais, inclusive as impostas durante o segundo mandato de Donald Trump iniciado em janeiro de 2025, rapidamente se traduziu em um desafio político explícito ao establishment.

As primeiras ações coordenadas ocorreram em 28 de dezembro de 2025, quando comerciantes fecharam lojas no Grande Bazar de Teerã, um movimento que rapidamente ganhou adesão de estudantes universitários e do público em geral em centros urbanos como Kuhdasht, na Província de Lorestan, e na Província de Fars. Os gritos de protesto evoluíram para slogans abertamente antirrepublicanos, com referências diretas ao Líder Supremo Ali Khamenei e pedidos para que o foco do país se voltasse para as questões internas, em detrimento de envolvimentos regionais.

A resposta das forças de segurança incluiu o uso de canhões d'água e gás lacrimogêneo em Teerã, com relatos de uso de munição real em Fars, resultando em confrontos. O custo humano da repressão incluiu a morte de Amirhossam Khodayari Fard, um membro de 21 anos da milícia Basij, em Kuhdasht, e a morte de dois manifestantes no sudoeste, além de ferimentos a treze outros agentes de segurança. Em face da escalada, o Procurador-Geral Mohammad Movahedi-Azad prometeu uma "resposta decisiva" caso os protestos fossem classificados como "motins".

Em contraste, o governo reconheceu a natureza das manifestações. A porta-voz Fatemeh Mohajerani declarou que os atos refletiam a "pressão natural decorrente da pressão sobre os meios de subsistência das pessoas" e que o governo ouvia suas vozes. O Presidente Masoud Pezeshkian, no cargo desde julho de 2024, enfatizou a necessidade de resolver as questões de subsistência para evitar consequências catastróficas.

O contexto geopolítico recente intensificou a pressão interna. Os protestos ocorreram apenas seis meses após uma guerra de 12 dias com Israel em junho de 2025, na qual os Estados Unidos intervieram com bombardeios a instalações nucleares iranianas em resposta a ataques iranianos. O ex-Presidente dos EUA, Donald Trump, havia advertido sobre ações contra o Irã caso este tentasse restaurar suas capacidades nucleares ou balísticas, um tema também levantado pelo Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu. Adicionalmente, o Parlamento Iraniano havia aprovado em outubro de 2025 um plano de redenominação monetária, visando cortar quatro zeros do Rial, medida que não conteve a crise.

Figuras proeminentes da oposição manifestaram posições distintas sobre a crise. A laureada com o Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, indicou que a República Islâmica estaria em seus "dias finais". Reza Pahlavi instou a sociedade a se juntar ao movimento pela queda do regime. Por outro lado, o ativista Mostafa Tajzadeh alertou que a ausência de uma estratégia clara de saída poderia levar o Irã ao "anarquismo e caos". O analista Kasra Qaredaghi, da Central Florida University, observou a rápida conversão de queixas de subsistência em descontentamento político quando a segurança de renda falha em acompanhar o custo de vida.

A resposta estatal oscilou entre a promessa de diálogo e a ameaça de repressão firme, enquanto a sociedade civil, representada por comerciantes e estudantes, desafiava a legitimidade do regime em um momento de vulnerabilidade econômica. A trajetória do país no início de 2026 dependerá da gestão dessa instabilidade, que ecoa o movimento "Mulher, Vida, Liberdade" de 2022, em um cenário onde a desvalorização cambial já ultrapassava 40% desde o conflito de junho.

14 Visualizações

Fontes

  • Deutsche Welle

  • Clarin

  • Deutsche Welle

  • Deutsche Welle

  • Liputan6.com

  • KBA News

  • Berita Senator

  • YouTube

  • El Diario Venezuela

  • TV Azteca

  • En Segundos Panama

  • La Tercera

  • NCRI

  • Iran Insight

  • Wikipedia

  • The Times of Israel

  • Al Jazeera

  • 2025–2026 Iranian protests - Wikipedia

  • Volunteer in Iran's Revolutionary Guard reportedly killed during widening protests

  • Iran appoints new central bank governor amid protests over plunging rial | DD News On Air

  • Day four of Iran protests sees rallies spread and regime change calls grow

  • Fatemeh Mohajerani - Wikipedia

Encontrou um erro ou imprecisão?

Vamos considerar seus comentários assim que possível.