Alimentos Fermentados: Análise das Culturas Probióticas e Seus Perfis Nutricionais

Editado por: Olga Samsonova

O espectro dos alimentos fermentados oferece uma variedade de culturas benéficas para a saúde humana, cada um com um perfil microbiano e histórico distintos. O Kefir, uma bebida láctea fermentada, é frequentemente citado por seu alto teor probiótico, com estudos indicando que pode conter até três vezes mais cepas de bactérias e leveduras vivas em comparação com o iogurte tradicional. Originário das montanhas do Cáucaso, o termo "kefir" deriva do turco "keif", que significa bem-estar. Sua preparação utiliza grãos de kefir, que são colônias simbióticas de bactérias e leveduras, imersas em um substrato, sendo o leite bovino o mais comum, embora também possa ser produzido com água açucarada ou leite de coco.

O Chucrute, ou *Sauerkraut*, um elemento da culinária alemã, possui uma história que se estende por mais de dois milênios, tendo se originado na China como método de preservação. Este repolho fermentado naturalmente com sal, por meio da liberação de ácido láctico por microrganismos como o *Lactobacillus plantarum*, constitui um probiótico potente. É fundamental que o chucrute seja consumido cru e não pasteurizado, visto que o aquecimento elimina as culturas vivas essenciais para o equilíbrio da microbiota intestinal e os benefícios imunológicos. Um estudo publicado na revista *Cell* em 2021 demonstrou que o consumo regular de fermentados pode aumentar a diversidade microbiana e reduzir marcadores inflamatórios em um período de 10 semanas.

O Kimchi, pilar da tradição culinária coreana, também se destaca como um alimento funcional rico em probióticos que auxiliam na digestão e no equilíbrio da flora intestinal. Sua composição inclui vegetais, como couve chinesa, temperados com alho, gengibre e pimenta vermelha coreana, passando por uma fermentação que gera bactérias benéficas. Pesquisas recentes, publicadas no *Journal of Functional Foods*, associaram o consumo frequente de kimchi à redução da gordura corporal e a um Índice de Massa Corporal (IMC) menor, observações feitas notadamente em homens de meia-idade. Para otimizar os benefícios probióticos, o consumo deve ser diário, mas moderado devido ao teor de sódio presente no alimento.

Na Ásia Oriental, a Kombucha, uma bebida fermentada de chá (verde ou preto) e açúcar, fornece probióticos não lácteos juntamente com compostos antioxidantes. O processo de fabricação, que pode durar aproximadamente 20 dias, resulta em uma bebida naturalmente gaseificada. No mercado brasileiro, marcas como Doutor K e Supraervas oferecem variedades, sendo essencial verificar a embalagem para assegurar que a bebida não foi submetida à pasteurização, processo que anula as propriedades probióticas. A variação na contagem de cepas probióticas é um fator notável entre as diferentes marcas disponíveis no comércio.

O Miso, uma pasta tradicional japonesa, é produzido pela fermentação da soja com sal e *koji* (*Aspergillus oryzae*). O miso moderno utiliza a soja como base e pode incluir arroz ou cevada, evoluindo de uma pasta inicial de carne ou peixe macerado. Especialistas em nutrição recomendam que o Miso não seja submetido à fervura para preservar suas dezenas de cepas bacterianas e fúngicas, embora o aquecimento possa intensificar o sabor. O consumo da versão não pasteurizada é preferível para a ingestão de microrganismos vivos, enquanto a versão pasteurizada ainda oferece fibras prebióticas.

Por fim, o Tempeh, um alimento milenar da Indonésia, é notavelmente fermentado com o fungo *Rhizopus oligosporus*. Este produto de soja, que se assemelha a um bolo branco compacto, é valorizado por seu alto teor proteico, fornecendo quase 40 gramas por bloco de 275 gramas, e por oferecer mais de 100% do valor diário recomendado de fibra alimentar. Assim como o miso, o Tempeh mantém seu valor probiótico quando consumido sem aquecimento, apresentando sabores que remetem a nozes ou cogumelos. A recomendação geral dos profissionais de saúde é que, para ser um probiótico natural eficaz, o alimento deve conter microrganismos benéficos vivos, e a combinação destes itens com fontes de fibra é aconselhada para otimizar a atividade intestinal. A diversificação das fontes probióticas, incluindo itens de diferentes origens como kefir, chucrute, kimchi, kombucha, miso e tempeh, constitui a estratégia mais robusta para nutrir a microbiota intestinal complexa.

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Fontes

  • Verywell Health

  • Foods With More Probiotics Than a Bowl of Yogurt - Tata 1mg Capsules

  • They're All The Rage RN - So, How Beneficial Are Fermented Foods Really? An Expert Weighs In

  • From pills to plates: 'Major' health promoting potential of microbiome diets and fermented foods - NutraIngredients.com

  • 8 Fermented Foods: Kefir, Kimchi, Miso, and More - Healthline

  • Does Kimchi or Sauerkraut Have More Probiotics? Exploring the Fermente - Cymbiotika

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