Experiência Russa de Domesticação de Raposas Revela Bases Genéticas do Comportamento

Editado por: Olga Samsonova

Um experimento genético de longa duração, iniciado na Rússia em 1959, continua a fornecer dados cruciais sobre os mecanismos da domesticação, utilizando a raposa-prateada como modelo para replicar em décadas o processo evolutivo que levou milênios no caso dos cães. O projeto foi concebido pelo geneticista Dmitry Belyaev no Instituto de Citologia e Genética em Novosibirsk, com o objetivo de testar a hipótese de que a seleção rigorosa baseada unicamente no temperamento — especificamente a docilidade em relação aos humanos — desencadearia mudanças fenotípicas correlacionadas.

A metodologia central envolvia a reprodução estrita dos espécimes de raposa que demonstravam a menor aversão e a maior aceitação humana, independentemente de suas características morfológicas iniciais. Ao longo de mais de sessenta anos, este esforço científico, que envolveu o manejo de mais de 60.000 animais, resultou em transformações fenotípicas marcantes nas linhagens selecionadas. Além da acentuada docilidade, que levou alguns grupos a exibirem comportamentos afetivos como lamber e abanar o rabo, surgiram características físicas análogas às dos cães, como orelhas caídas e pelagem malhada ou mosqueada, apoiando a teoria da "síndrome de domesticação".

A pesquisa, que enfrentou desafios financeiros após o desmantelamento da União Soviética, prossegue em 2026 sob a gestão da geneticista Lyudmila Trut, sucessora de Belyaev, que conduziu o estudo por 66 anos até seu falecimento em outubro de 2024. O trabalho ganhou projeção internacional, inclusive com a publicação do livro "How to Tame a Fox (and Build a Dog)" em 2019, escrito em coautoria com o biólogo Lee Dugatkin. O experimento mantém linhagens de controle e aquelas selecionadas pela agressividade para análise comparativa do genoma.

A análise genética identificou marcadores cruciais associados ao comportamento. Notavelmente, o gene SorCS1 foi ligado ao comportamento amigável e ao aprendizado, atuando como um componente chave na sinalização do sistema nervoso e na formação de sinapses. Pesquisas subsequentes sugeriram que variações no SORCS1 podem estar correlacionadas com condições neurológicas humanas, como o Mal de Alzheimer, indicando que as mudanças genéticas induzidas pela domesticação oferecem perspectivas sobre a base genética de variações no comportamento social em mamíferos.

O experimento de Novosibirsk foi concebido em um contexto de superação das teorias não-mendelianas do Lysenkoísmo, provando que a amizade com humanos é, em grande parte, determinada geneticamente. A manutenção das linhagens agressivas e dóceis permite o isolamento das sequências de DNA responsáveis pelas diferenças comportamentais observadas entre as populações experimentais, consolidando o estudo como uma ferramenta fundamental para a genética evolutiva.

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Fontes

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