Evidências Neurológicas Confirmam Discriminação Canina de Vozes Humanas
Editado por: Olga Samsonova
Investigações científicas recentes solidificam a notável aptidão dos cães domésticos para diferenciar vocalizações humanas. Pesquisas confirmam que os cérebros caninos processam sons emitidos por humanos e por outros membros da espécie canina por vias neurais distintas. Essa capacidade de distinção auditiva reflete a profunda simbiose evolutiva estabelecida ao longo de milênios de coabitação.
A distinção entre sons de espécies familiares ocorre rapidamente, com a divergência no processamento neural detectada em apenas 250 milissegundos após o início do estímulo sonoro. A utilização de eletroencefalografia (EEG), uma técnica não invasiva, permitiu aos cientistas mapear essas diferenças cerebrais. Os dados de EEG revelam uma segregação clara na atividade cerebral dos cães ao ouvirem a fala humana em contraste com latidos caninos. Pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd (ELTE), em Budapeste, têm sido pioneiros na aplicação desta metodologia para desvendar os mecanismos cognitivos caninos.
Os achados indicam que o desempenho de reconhecimento dos cães é otimizado quando ouvem a voz de seu cuidador principal. Essa melhoria na discriminação correlaciona-se diretamente com a maior frequência de interações vocais mantidas com aquela pessoa específica ao longo do tempo. Estudos com ressonância magnética funcional mostraram que os cérebros caninos possuem regiões especializadas, análogas às humanas perto do córtex auditivo primário, que processam a informação emocional contida na voz.
Um estudo envolvendo 28 cães e seus donos demonstrou empiricamente a capacidade de identificação exclusiva pela voz, mesmo quando o olfato era neutralizado. Os animais conseguiram localizar a fonte da voz do tutor em 82% das vezes em um teste com 14 rodadas, aproximando-se do dono mesmo quando este estava oculto e apenas sua voz era transmitida eletronicamente. Os pesquisadores da ELTE observaram que variações na frequência e no ruído da voz do tutor influenciavam a rapidez do reconhecimento, indicando que pistas acústicas sutis são cruciais.
Adicionalmente, a consciência sobre a entonação humana é um fator determinante na comunicação interpessoal. Cães conseguem discernir variações tonais que sinalizam aprovação ou desaprovação, interpretando sons agudos e melódicos como positivos e os graves e ásperos como negativos, mesmo sem compreender as palavras. O uso consciente da voz, com tons suaves e constantes, reforça o vínculo e a segurança, sublinhando a importância da modulação vocal no adestramento e na relação diária.
As descobertas da Eötvös Loránd University validam a capacidade canina de reconhecer a voz de seu cuidador e iluminam a base neural da ligação comunicativa entre cães e humanos. A compreensão de que os cérebros caninos processam a voz humana de maneira especializada, com áreas dedicadas à captação de emoções, oferece um panorama sofisticado da inteligência emocional canina. Este campo de estudo continua a expandir-se com investigações futuras planejadas para explorar outras modalidades sensoriais em relação ao processamento da linguagem humana.
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Fontes
El Universal
88.9 Noticias
Grupo Marmor
KCH FM
PubMed
TUN
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