Valorização de Subprodutos Cítricos: Cascas de Laranja Transformadas em Alimentos Funcionais

Editado por: Olga Samsonova

A vanguarda da culinária sustentável está redefinindo o conceito de resíduo, transformando cascas de laranja, um subproduto abundante, em petiscos cristalizados de alto valor agregado. Esta abordagem alinha-se com as tendências globais de desperdício zero, um imperativo crescente na gestão de resíduos orgânicos do setor alimentício. Projeções indicam que a geração mundial de lixo pode atingir 3,4 bilhões de toneladas anuais até 2050, um aumento de 70% em relação aos níveis de 2016.

A preparação destes doces exige uma técnica de cozimento meticulosa, que envolve fervuras sucessivas para eliminar o sabor amargo inerente, culminando em uma textura mastigável e um perfil de doçura aprimorado. Este processo concentra compostos bioativos presentes na casca. Uma sofisticação moderna desta iguaria consiste em banhar as cascas secas em chocolate amargo com elevado teor de cacau, prática que potencializa a ingestão de antioxidantes. O chocolate amargo, rico em flavonoides, é conhecido por auxiliar na redução dos níveis de LDL, o colesterol ruim.

A notável versatilidade dos resíduos cítricos transcende o consumo direto como doce. As cascas podem ser processadas em farinhas funcionais, com estudos demonstrando que farinhas de resíduos cítricos podem conter mais de 30% da dose diária recomendada de Vitamina C para adultos, por vezes superando a polpa. Tais farinhas, com teores de fibra comparáveis ou superiores aos da aveia em flocos crua, podem substituir parcialmente a farinha de trigo no enriquecimento de pães, bolos e biscoitos, conferindo qualidade nutricional.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram métodos biotecnológicos para extrair pectina solúvel, com pureza superior a 80%, e xilana, que pode ser convertida em xilo-oligossacarídeos prebióticos, a partir destas cascas, que correspondem a mais de 40% do peso da matéria-prima do suco. O aproveitamento integral da laranja, que pode ter cerca de 50% de seu peso constituído por casca, albedo e sementes após a extração do suco, é um pilar da economia circular.

A casca, em particular, é um reservatório de nutrientes, contendo quatro vezes mais fibras do que a polpa, além de flavonoides como hesperidina e naringenina, que contribuem para a estabilização do sistema cardiovascular e a redução de triglicerídeos, conforme pesquisas. A presença de fibras na casca também auxilia na regulação dos níveis de açúcar no sangue, auxiliando na prevenção do diabetes. O reaproveitamento, como a criação de snacks cristalizados, promove a redução do desperdício e a otimização dos insumos, fortalecendo a função imunológica e melhorando a digestão.

Este movimento de valorização de subprodutos, que inclui a extração de óleos essenciais como o limoneno, com utilidade farmacológica e cosmética, e a possibilidade de conversão da celulose residual em etanol, posiciona a casca de laranja como matéria-prima valiosa. A adoção de práticas de gestão ambiental na indústria alimentícia, que incluem programas de reciclagem, é crucial para mitigar impactos ambientais e fortalecer a imagem corporativa, aplicando rigor técnico para garantir a qualidade nutricional e sensorial desejada pelo consumidor atento às práticas sustentáveis.

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Fontes

  • Liputan 6

  • Liputan6.com

  • Mureks

  • Liputan6.com

  • Radar Malang

  • Batam Pos

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