Os mercados financeiros globais, na quinta-feira, 10 de dezembro de 2025, operaram em um tom de contenção enquanto aguardavam o desfecho da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos. Este evento dominou o foco, sobrepondo-se a preocupações geopolíticas anteriores. A cautela já havia se manifestado na Ásia na quarta-feira, com os índices acionários em baixa antes da decisão amplamente esperada do Fed, que o mercado precificava em um corte de 25 pontos-base, elevando a taxa de fundos federais para a faixa de 3,5% a 3,75%.
Essa expectativa de flexibilização monetária, contudo, é temperada por incertezas sobre a trajetória futura. Analistas, incluindo os do Deutsche Bank, alertam que um aumento de juros em 2026 não deve ser descartado, caso a inflação demonstre persistência. O cenário asiático refletiu essa tensão: o Nikkei 225 do Japão recuou 0,3% devido a especulações de que o Banco do Japão poderia elevar as taxas em sua reunião de 18-19 de dezembro. Na China continental, o CSI 300 caiu 0,9% após dados confirmarem a deflação, com o Índice de Preços ao Produtor (PPI) contraindo 2,2% anualmente, enquanto o Hang Seng de Hong Kong também sofreu uma queda de 1,1%.
Em destaque no setor de commodities, a prata atingiu um novo valor recorde, tocando brevemente US$ 60,9125 por onça troy. Este rali é sustentado por estoques baixos, notadamente em Londres, e uma demanda industrial robusta, impulsionada pelos setores de energia solar e veículos elétricos (EVs). Mais de 50% da prata comercializada em 2025 foi destinada a aplicações industriais, com a demanda por semicondutores e inteligência artificial solidificando seu papel como insumo-chave na transição energética global. O Bank of America projeta que o preço da prata pode atingir US$ 65 em 2026, dada a solidez desses fundamentos.
Em outros mercados, os futuros de petróleo bruto se estabilizaram na faixa intermediária dos US$ 70 por barril, enquanto o minério de ferro registrou uma queda de 1,43% em Dalian, atingindo US$ 107,55 por tonelada. No mercado indiano, o Nifty 50 encerrou a terça-feira em 25.839,65 pontos, pressionado pela venda líquida de INR 37,6 bilhões (aproximadamente US$ 418,2 milhões) por Investidores Estrangeiros Institucionais (FIIs).
A atenção dos operadores agora se concentra nas orientações do Presidente do Fed, Jerome Powell, durante a coletiva de imprensa pós-reunião de 10 de dezembro. Qualquer sinalização mais restritiva sobre as taxas para 2026 pode impor pressão sobre ativos de risco, como o Bitcoin, negociado perto de US$ 92.000. Embora um corte de 0,25 p.p. seja amplamente esperado, a probabilidade de o Fed manter as taxas inalteradas em janeiro permanece em 67,5%. Dados recentes, como a contração manufatureira dos EUA pelo nono mês consecutivo, reforçam a narrativa de corte, mas a ambiguidade no mercado de trabalho pode justificar uma pausa prolongada na política monetária.



