Hábitos Comportamentais Superam Genética na Determinação da Longevidade Saudável
Editado por: Olga Samsonova
A trajetória ascendente da expectativa de vida global, exemplificada pela Catalunha, onde o número de centenários ultrapassou 3.000 — o dobro do registrado na década de 1980 —, impõe uma redefinição de prioridades. O foco desloca-se da mera extensão da existência para a garantia de que os anos adicionais sejam vividos com plena funcionalidade e bem-estar, um conceito denominado envelhecimento saudável. Pesquisas indicam que a longevidade resulta de uma interação complexa entre predisposição genética, meio ambiente e escolhas de vida, sendo os hábitos individuais decisivos nos resultados finais de saúde na velhice.
O professor Newton Terra, da PUCRS e pesquisador do Instituto de Geriatria e Gerontologia, aponta que o estilo de vida e o ambiente são responsáveis por 75% do processo de envelhecimento, cabendo apenas 25% à genética, segundo suas investigações. Em 2026, a atenção se concentra em cinco pilares comportamentais essenciais para mitigar o crescente descompasso entre a expectativa de vida total e os anos vividos com saúde plena, o chamado "health gap". A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lidera a Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030, uma iniciativa global que visa construir uma sociedade para todas as idades, focando em mudar percepções sobre a idade e promover ambientes que apoiem as capacidades funcionais dos idosos.
A primeira recomendação fundamental é a adesão à Dieta Mediterrânea, caracterizada pelo consumo de produtos frescos e locais e pela restrição de itens processados. Estudos demonstram que esta abordagem preserva a integridade dos telômeros, estruturas cruciais nas extremidades dos cromossomos, prevenindo a perda de informação genética durante a divisão celular. Esta dieta, que inclui azeite de oliva, peixes, grãos integrais e leguminosas, tem sido associada à redução do risco de doenças cardiovasculares e à melhoria da saúde cerebral, com um estudo indicando que seus adeptos podem apresentar um cérebro funcionalmente cinco anos mais jovem.
O segundo hábito crucial envolve a integração da atividade física constante, priorizando o movimento contínuo ao longo do dia, como caminhar ou jardinagem, em detrimento de exercícios formais estruturados. Este padrão é observado nas "Zonas Azuis", regiões como Sardenha (Itália) e Okinawa (Japão), identificadas pelo pesquisador Dan Buettner, onde o movimento natural e a manutenção da funcionalidade diária demonstram ser mais determinantes do que sessões formais de exercício. A prática regular de atividade física é um dos principais fatores que determinam a longevidade e a qualidade de vida, diminuindo a incidência de enfermidades cardiovasculares.
O terceiro elemento vital reside na garantia de sete a oito horas de sono de qualidade ininterrupta por noite, período essencial para a renovação celular e para a ativação do sistema glifático, responsável pela remoção de resíduos metabólicos cerebrais, como a proteína beta-amiloide, cujo acúmulo está ligado ao Alzheimer. A ciência enfatiza que o sono profundo otimiza o metabolismo energético celular e modula a inflamação, enquanto a privação pode elevar o cortisol, o hormônio do estresse, e acelerar o envelhecimento celular através do aumento do estresse oxidativo.
Em quarto lugar, a manutenção de laços sociais robustos atua como fator protetor contra o estresse crônico e impulsionador da saúde cognitiva, um princípio central nas comunidades de longevidade extrema. O apoio emocional e as conexões significativas estão diretamente ligados a menores níveis de estresse e maior felicidade, reforçando a importância da saúde emocional e social, conforme apontam especialistas. Finalmente, a otimização do ambiente, favorecendo a exposição a espaços verdes e ar puro, espelha as condições encontradas nas "Zonas Azuis", onde o ambiente interage positivamente com o organismo, influenciando a qualidade do descanso e a saúde geral.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a expectativa de vida global ao nascer seja de 71,4 anos, mas regiões como Japão e partes da Europa já ultrapassam os 80 anos, com projeções para 2030 atingindo 83 anos para homens e 86 para mulheres nessas áreas mais avançadas. A conquista de uma longevidade bem-sucedida transcende a herança biológica, sendo significativamente moldada por escolhas de estilo de vida conscientes e consistentes que amplificam a qualidade dos anos vividos. A adoção desses hábitos é vista como uma estratégia eficaz de medicina do estilo de vida para aumentar a sobrevida com qualidade.
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Fontes
LaVanguardia
Articles by Juan Manuel Pérez Castejón - Hospital Clínic Barcelona
The Healthy Aging Warning: Spain's Life Expectancy Challenge in 2026
Centenarians by Country 2026 - World Population Review
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