Jejum como Treinamento Neuropsicológico Estabiliza o Humor e Fortalece o Córtex Pré-Frontal

Editado por: Olga Samsonova

A psicologia contemporânea reconhece práticas de restrição alimentar voluntária, como o jejum observado durante o Ramadã, como um processo fundamental de autorregulação comportamental. Essa disciplina consciente demonstrou estabilizar o estado de humor, aprimorar o controle de impulsos e solidificar o senso de propósito de um indivíduo. Em uma sociedade focada na gratificação imediata, o jejum oferece uma pausa estruturada que desafia a tendência ao consumo excessivo e à reatividade impulsiva.

Psiquiatras conceituam o ato de jejuar como uma modalidade de desintoxicação psicológica, um período que facilita a reorganização de padrões de pensamento e hábitos emocionais arraigados. Essa prática sistemática treina o indivíduo a tolerar desconfortos sem recorrer a respostas imediatas e não ponderadas. Estudos indicam que a superação bem-sucedida de desejos e vontades durante o jejum intensifica a atividade no córtex pré-frontal (PFC), a estrutura cerebral crucial que atua como o principal mecanismo inibitório ou "freio emocional" do cérebro.

A ativação aumentada do córtex pré-frontal, que amadurece completamente apenas por volta dos 25 anos, resulta diretamente na diminuição de reações espontâneas e na promoção de uma paciência aprimorada. Esse fortalecimento cognitivo fomenta respostas mais deliberadas e menos reativas às adversidades diárias, um efeito que também é associado à redução da inflamação cerebral e do estresse oxidativo. Pesquisas sugerem que o jejum intermitente pode aumentar a produção de BDNF, uma proteína que fortalece a memória e a plasticidade neuronal, contribuindo para a resiliência ao estresse.

Adicionalmente, a prática do jejum reforça os mecanismos de enfrentamento espiritual, cimentando o significado intrínseco da vida. No contexto de práticas religiosas como o Ramadã, as atividades comunitárias que circundam o jejum — como refeições coletivas e intensificação da caridade — fortalecem os laços afetivos e o sentimento de pertencimento social, reconhecidos como elementos protetores significativos para a manutenção da saúde mental e emocional. A psicologia islâmica, por exemplo, vê o Ramadã como uma escola para o crescimento psicológico, focada no autocontrole e na disciplina, aspectos considerados cruciais para o sucesso a longo prazo.

A capacidade de resistir a impulsos alimentares, como demonstrado no jejum, funciona como um treino generalizado para o controle de outros desejos descontrolados, sejam eles relacionados a fofocas ou cobiça. A ciência atual corrobora que o aprimoramento da autorregulação, facilitado pelo jejum, está intrinsecamente ligado à melhoria da função cognitiva, incluindo maior clareza mental e concentração, pois o fluxo sanguíneo é otimizado para o sistema nervoso em detrimento do sistema gastrointestinal durante a restrição. Assim, a abstinência alimentar controlada estabelece-se como uma intervenção neuropsicológica com impactos mensuráveis na gestão emocional e no desenvolvimento do caráter.

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Fontes

  • Liputan 6

  • Info Nasional

  • Bloomberg Technoz

  • detikHealth

  • Hello Sehat

  • Hello Sehat

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