Psicologia Social Explica Urgência de Organizar a Casa Antes de Receber Visitas
Editado por: Olga Samsonova
A prática generalizada de intensificar a limpeza doméstica imediatamente antes da chegada de convidados fundamenta-se em pilares da psicologia social, notadamente no conceito de gerenciamento de impressão. Este esforço, seja ele consciente ou não, visa moldar a percepção alheia sobre o anfitrião. Segundo a Dra. Alise Dabdoub, PhD, diretora de inovação de produtos na Hogan Assessments, essa tática apresenta vantagens múltiplas, podendo auxiliar na obtenção de empregos e na melhoria do desempenho profissional. Nesse contexto, o lar funciona como um palco onde a organização e o asseio comunicam traços de personalidade, como a conscienciosidade, aos visitantes, fortalecendo a necessidade de otimizar essa autoapresentação externa.
Este comportamento de asseio sob observação alinha-se diretamente ao Efeito Hawthorne. Este viés foi identificado pela primeira vez na década de 1950 por Henry A. Landsberger, após analisar experimentos conduzidos nas décadas de 1920 e 1930 na fábrica Hawthorne Works da Western Electric, nos arredores de Illinois, Estados Unidos. O Efeito Hawthorne descreve a alteração no comportamento de indivíduos simplesmente pela consciência de estarem sendo observados. No ambiente doméstico, isso se manifesta como um aumento temporário na dedicação à arrumação. Os estudos originais de Hawthorne, que investigavam a correlação entre iluminação e produtividade, demonstraram que a atenção focada nos trabalhadores elevava a produção, independentemente das modificações nas condições físicas, induzindo ajustes comportamentais imediatos, como a melhoria dos hábitos de higiene.
Psicologicamente, essa atividade de limpeza compulsória cumpre uma dupla função: o gerenciamento da imagem projetada e a regulação interna do indivíduo. A busca por um ambiente externo ordenado espelha um desejo de alinhar a realidade visível com a ordem interna almejada. Em termos da Teoria da Autodeterminação (TAD), desenvolvida por Richard M. Ryan e Edward L. Deci a partir de 1981, isso contrasta com a motivação autônoma. A TAD postula que a satisfação das necessidades básicas de autonomia, competência e relacionamento é essencial para o bem-estar psicológico e para uma motivação mais intrínseca.
A motivação controlada, exemplificada pela limpeza impulsionada por pressão externa, representa a forma menos autodeterminada de regulação do comportamento, pois depende de reforços externos contínuos. Em contrapartida, as tendências contemporâneas sugerem que o verdadeiro autocuidado envolve cultivar espaços de vida que gerem satisfação intrínseca, alinhando-se à necessidade da TAD por controle ambiental e autonomia. Ambientes organizados, como demonstrado em contextos de saúde mental, podem diminuir a sobrecarga cognitiva e a ansiedade, restaurando a percepção de controle sobre a realidade, um benefício que a psicóloga Ana Lúcia Karasin associa à estabilidade. Assim, enquanto a visita dispara um comportamento motivado externamente, o ideal para o bem-estar sustentável reside em nutrir um espaço que satisfaça as necessidades psicológicas básicas de forma autônoma, promovendo um engajamento mais volitivo com o ambiente.
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Fontes
Bunte
UT Austin News
Explorable.com
Helpful Professor
APA PsycNet
The Daily Texan
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