Neurociência Explica Aceleração Subjetiva do Tempo por Alterações no Processamento Cerebral
Editado por: Elena HealthEnergy
A percepção universal de que o tempo se acelera com o avanço da idade não constitui uma ilusão cronométrica, mas reflete alterações nos mecanismos de processamento visual e formação de memória do cérebro humano. Este fenômeno de distorção temporal é um campo de estudo para a compreensão da consciência e dos processos de envelhecimento, podendo sugerir estratégias para otimizar a qualidade de vida percebida.
Cientistas investigam a razão pela qual os dias parecem encurtar na vida adulta em comparação com a infância, focando nos mecanismos neurobiológicos subjacentes. Pesquisas, como a publicada em 2025 na Communications Biology, oferecem suporte empírico ao demonstrar que os estados neurais — padrões de atividade cerebral — tornam-se mais longos e menos frequentes com a idade, especificamente em regiões sensoriais. Essa redução na frequência de novos estados neurais correlaciona-se diretamente com a sensação subjetiva de que o tempo transcorre mais rapidamente. Um estudo de 2025 na referida revista analisou a atividade cerebral de 577 indivíduos entre 18 e 88 anos assistindo a um trecho de oito minutos de um episódio de Alfred Hitchcock Presents, utilizando ressonância magnética funcional (RMF) e um algoritmo GSBS para detectar transições de estado neural, confirmando que participantes mais velhos apresentaram menos transições no mesmo intervalo, o que comprime a percepção temporal.
Adrian Bejan, Professor Distinto J.A. Jones de Engenharia Mecânica na Duke University, formalizou uma teoria influente sobre o tema, detalhada em um estudo publicado na European Review em 2019. Bejan postula que, com a maturação cerebral, as vias neurais se alongam e degradam com a idade, resultando em uma transmissão de informação mais lenta. Ele enfatiza a subjetividade da percepção temporal ao declarar que a mente humana registra a mudança do tempo quando as imagens mentais se alteram. Cérebros juvenis processam um volume maior de 'imagens mentais' novas por unidade de tempo objetivo, estendendo a sensação de duração. A física subjacente sugere que a rede neural se torna mais complexa, exigindo que os sinais percorram distâncias maiores, e a degradação com a idade adiciona resistência ao fluxo de sinais elétricos, diminuindo a velocidade de aquisição de novas imagens mentais.
Complementando a perspectiva neurofisiológica, o biólogo matemático Brian Yates, da Universidade de Bath, explorou em The Conversation no ano de 2016 outros fatores, como o metabolismo biológico e a rotina estabelecida. Yates sugere que a desaceleração do metabolismo corporal atua como um relógio biológico mais lento, enquanto a previsibilidade da vida adulta minimiza a ocorrência de experiências inéditas registradas pelo cérebro. Adicionalmente, sob uma ótica matemática, cada ano vivido representa uma fração percentual menor do tempo total de vida acumulado de um indivíduo, o que intrinsecamente contribui para a sensação de passagem veloz.
Estudos adicionais, como um conduzido por pesquisadores de Stanford, indicam que a introdução de novidades e mudanças de rotina pode efetivamente 'alongar' a percepção do tempo, ao gerar mais memórias distintas. A pesquisa sugere que a introdução deliberada de novidades pode enriquecer a formação de memória, esticando a percepção retrospectiva do tempo. Em contraste, pesquisas sobre longevidade, como a da Universidade Stanford publicada na Nature Medicine em 2025, apontam que a idade biológica do cérebro é o preditor mais forte de longevidade, com cérebros mais velhos biologicamente aumentando o risco de mortalidade em 182% nos próximos 15 anos, destacando a importância da saúde neurológica. A Dra. Linda Geerligs, da Universidade Radboud, sugere que manter-se mentalmente ativo e receptivo a novas aprendizagens é uma tática eficaz para combater essa compressão temporal, pois a busca por novas experiências faz com que as memórias se destaquem, esticando a percepção do tempo vivido.
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Fontes
euronews
Quartz
SSBCrack News
EurekAlert!
NZCity
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