Memorando Russo Detalha Plano de Cooperação Econômica com Governo Trump Condicionado ao Fim da Guerra na Ucrânia
Editado por: gaya ❤️ one
Um memorando interno da Federação Russa, datado do início de 2026 e divulgado pela Bloomberg, descreve uma estrutura ambiciosa para uma ampla cooperação econômica com uma potencial administração do Presidente Donald Trump, vinculada à cessação das hostilidades na Ucrânia. O documento, que circulou entre altos escalões do governo russo, estabelece sete vetores primários para o alinhamento econômico entre Moscou e Washington, sugerindo uma possível alteração na política externa russa.
O ponto central da proposta russa é a possibilidade de reincorporação ao sistema de liquidação em dólar americano, revertendo a política de desdolarização adotada após a invasão de 2022. Este retorno abrangeria, de forma crucial, as transações de energia, o que, se concretizado, representaria uma mudança significativa nas finanças globais e um revés nos esforços de desdolarização promovidos por blocos como o BRICS. A análise da Bloomberg indica que tal movimento poderia enfraquecer a narrativa anti-dólar do BRICS e ser visto como um sucesso para a administração Trump em seu objetivo de isolar economicamente Moscou de Pequim.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou a existência desta estrutura, nomeando-a como “Pacote Dmitriev”, em referência a Kirill Dmitriev, o enviado especial da Rússia para Investimento Estrangeiro e Cooperação Econômica, que também lidera o Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF). Zelensky afirmou categoricamente que a Ucrânia não endossará acordos que a envolvam sem sua participação direta nas negociações. As discussões diplomáticas prosseguem, com a Ucrânia já confirmando sua presença na próxima rodada de conversações de paz, proposta pelos Estados Unidos para a semana seguinte, embora a confirmação russa estivesse pendente em 12 de fevereiro de 2026.
As sete áreas propostas para a cooperação econômica são detalhadas e abrangentes, cobrindo setores vitais para ambas as economias. Entre elas, destacam-se contratos de longo prazo para o fornecimento de aeronaves americanas, com potencial para participação dos EUA na fabricação russa de aviões, e a criação de empreendimentos conjuntos para a extração de petróleo e Gás Natural Liquefeito (GNL), incluindo a compensação por investimentos americanos prévios. O plano também prevê a facilitação do regresso de corporações americanas ao mercado consumidor russo sob termos preferenciais e a cooperação no setor de energia nuclear, com foco em aplicações de inteligência artificial.
Um elemento notável é o alinhamento proposto para a promoção conjunta de combustíveis fósseis em detrimento de soluções de baixa emissão, sugerindo uma frente unida em política energética. Outro ponto de colaboração envolve matérias-primas críticas, como lítio, cobre, níquel e platina. Kirill Dmitriev, sancionado pelos EUA desde 2022 e formado em instituições americanas como Harvard e Stanford, tem atuado como negociador de bastidores com aliados de Trump.
O contexto mais amplo inclui a pressão dos EUA para o fim do conflito, com o Presidente Zelensky indicando que Washington estabeleceu um prazo até junho de 2026 para que um acordo de paz seja alcançado, sob pena de a Ucrânia perder garantias de segurança americanas. Paralelamente, a União Europeia avalia formas de incorporar a adesão da Ucrânia ao bloco em um acordo de paz, oferecendo proteções associadas à condição de membro. Em contraste com a abertura econômica sugerida no memorando, o Ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, expressou recentemente ceticismo sobre o futuro das relações econômicas bilaterais, introduzindo uma camada de incerteza sobre a posição oficial do Kremlin.
18 Visualizações
Fontes
Deutsche Welle
The Washington Post
Bloomberg Law
Investing.com
WIRED
Reuters
Leia mais notícias sobre este tema:
Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.
