A NASA lançou um segundo balão científico a partir da Antártida.
Missão PUEO da NASA alcança altitude operacional na Antártida para caça a neutrinos cósmicos
Editado por: Tetiana Martynovska 17
A segunda missão de voo científico por balão da campanha antártica da NASA, que transporta a carga útil do Payload for Ultrahigh Energy Observations (PUEO), atingiu com sucesso sua altitude nominal de flutuação. O lançamento ocorreu no sábado, 20 de dezembro de 2025, nas proximidades da Estação McMurdo, operada pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF) na Plataforma de Gelo Ross. Atualmente, o balão opera a aproximadamente 120.000 pés, uma altitude elevada na estratosfera, considerada ideal para voos de longa duração devido à estabilidade dos ventos polares.
Esta campanha antártica, gerenciada pela NASA, aproveita a luz solar quase constante e os padrões de vento estáveis do verão austral para sustentar as operações por dias ou semanas enquanto o balão circula o continente. O objetivo principal da missão PUEO é a detecção de sinais de rádio gerados quando neutrinos de energia ultra-alta vindos do espaço interagem com o gelo antártico. Essas partículas de altíssima energia carregam informações cruciais sobre eventos astrofísicos violentos, como a formação de buracos negros e a fusão de estrelas de nêutrons. A instrumentação do PUEO também está configurada para identificar pulsos de rádio provenientes de chuveiros de ar de raios cósmicos de energia ultra-alta na atmosfera.
A utilização do gelo antártico como um detector massivo permite uma investigação sem precedentes, sendo a missão a pesquisa de neutrinos cósmicos de energia ultra-alta mais sensível já realizada. Esta empreitada constitui o primeiro lançamento de balão da NASA sob o programa pioneiro de Astrofísica, que visa apoiar ciência de ponta com um custo operacional reduzido em comparação com missões espaciais dedicadas. O instrumento PUEO aprimora a tecnologia do programa anterior ANITA (Antarctic Impulsive Transient Antenna), incorporando filtragem avançada e um sistema de gatilho de *phased array* para alcançar uma ordem de magnitude superior em sensibilidade em comparação com seu antecessor, especialmente na faixa de 10 EeV.
A Dra. Abigail G. Vieregg, da Universidade de Chicago, atua como Investigadora Principal (PI) da missão PUEO. A campanha de Balão de Longa Duração de 2025 também deu suporte à missão GAPS (General AntiParticle Spectrometer), que foi lançada anteriormente para buscar partículas associadas à matéria escura. O programa de balões científicos da NASA utiliza balões de pressão zero, que mantêm o equilíbrio com a atmosfera circundante, permitindo voos prolongados em condições polares extremas. A altitude de operação, próxima a 36,6 quilômetros, posiciona o instrumento acima da maior parte da atmosfera terrestre, oferecendo uma plataforma robusta e de custo-benefício vantajoso.
A colaboração logística para estas operações complexas na Antártida é fundamental, envolvendo a NASA, a NSF, o governo da Nova Zelândia e a Força Aérea dos EUA. A capacidade de voos de longa duração, que podem se estender por semanas, é um diferencial que permite a coleta de dados substanciais, complementando observações que seriam difíceis de obter com outras plataformas.
Fontes
NASA
NASA Wallops Flight Facility
NASA Photo of the Day
APS Global Physics Summit 2025
Institute for Gravitation and the Cosmos
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