Espalhamento de Rayleigh Unifica Origem Física e Genética dos Olhos Azuis
Editado por: Vera Mo
O fenômeno físico conhecido como Espalhamento de Rayleigh oferece uma explicação unificada para a tonalidade azul do céu e a coloração da íris humana, conforme detalhado recentemente pela comunicadora científica Andrea Danta durante uma transmissão no programa 'Serendipias' da Cadena SER, com atualização datada de dezembro de 2025. O mecanismo central envolve a interação da luz solar com partículas atmosféricas minúsculas, como moléculas de nitrogênio e oxigênio. Nesses encontros, os comprimentos de onda mais curtos, especificamente o azul, são dispersos com uma intensidade significativamente maior em comparação com os comprimentos de onda mais longos, como o vermelho. Ignacio Crespo complementou a análise, observando que o azul é percebido em toda a abóbada celeste, ao contrário de outras cores que requerem a observação direta da fonte luminosa.
Este mesmo princípio de Rayleigh governa a coloração azulada observada nos oceanos e, de forma análoga, nos olhos humanos, refutando a noção de que a cor azulada ocular é um mero reflexo da luz ambiente. Indivíduos com olhos azuis não possuem o pigmento melanina na camada superior da íris, conhecida como estroma, que apresenta uma estrutura translúcida. A luz que penetra no estroma sofre o Espalhamento de Rayleigh, resultando na refração da luz azul para fora, o que gera o efeito visual azulado percebido. A Lei de Rayleigh-Jeans estabelece que a intensidade da luz dispersada é inversamente proporcional à quarta potência do comprimento de onda, favorecendo o espalhamento do azul sobre o vermelho em uma proporção notável, com cerca de três vezes mais intensidade para 450 nm (azul) em relação a 600 nm (vermelho).
Verificações científicas robustas confirmam que, em um passado ancestral, toda a população humana possuía olhos de coloração castanha. A transição para o olho azul não foi um processo gradual, mas sim o resultado de uma mutação genética singular focada no gene OCA2, o regulador primário da produção de melanina. Pesquisas conduzidas pelo Professor Hans Eiberg da Universidade de Copenhague, reiteradas em 2025, estabelecem uma conexão genética direta, rastreando todos os indivíduos de olhos azuis a um único ancestral comum. Este indivíduo ancestral viveu em um período estimado entre 6.000 e 10.000 anos atrás, com a provável localização geográfica situada ao norte do Mar Negro, possivelmente durante a expansão neolítica.
A alteração fenotípica reside em uma mutação específica localizada no gene adjacente HERC2, que funciona como um interruptor molecular. Este interruptor genético limita a capacidade do gene OCA2 de produzir melanina na íris, resultando na diluição do pigmento castanho para o tom azul, sem contudo induzir albinismo total. O Professor Eiberg observou em 2008 que essa mutação criou uma 'chave' que 'desligou' a produção de olhos castanhos, e todos os portadores de olhos azuis herdaram essa mesma alteração pontual no DNA. Esta inovação genética, surgida uma única vez, demonstrou capacidade de propagação através de sucessivas gerações. A prevalência atual de olhos azuis, estimada em cerca de 10% da população mundial, com maior concentração em nações escandinavas, atesta a disseminação bem-sucedida deste traço herdado.
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Fontes
Cadena SER
OkDiario
Cadena SER
Dadao
Wikipedia, la enciclopedia libre
La Voz de Galicia
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