A Organização Transitória da Vida em Contraste com a Eternidade Atômica
Editado por: Vera Mo
A reflexão sobre a imortalidade frequentemente direciona a atenção aos limites do cosmos ou à composição material do ser humano. Um fato fundamental, contudo, emerge: a vasta maioria dos átomos que constituem o corpo humano originou-se há cerca de 13,8 bilhões de anos, no Big Bang, e sua persistência deverá estender-se muito além da existência da civilização humana. A física universal estabelece constituintes com durabilidade quase inalterável, mas o universo não confere permanência aos seres vivos. Os átomos de hidrogênio presentes no sangue, por exemplo, manterão sua identidade atômica muito tempo após a desintegração do planeta Terra, em estrita observância à lei da conservação da matéria, que afirma que a matéria não é criada nem destruída.
O cerne da questão reside em como a vida, sendo um arranjo desses elementos duradouros, falha em alcançar a permanência. A ciência atual indica que a vida não reside na matéria em si, mas sim na organização complexa que essa matéria assume. O corpo humano é composto majoritariamente por Oxigênio (65,0%), Carbono (18,5%) e Hidrogênio (9,5%), elementos cruciais para a água e as moléculas orgânicas que definem a existência biológica. Os organismos vivos dependem de uma disposição altamente improvável de átomos que sustenta a capacidade de autorreplicação molecular, mecanismos de reparo celular e um metabolismo ativo.
Essa arquitetura delicada exige um aporte energético contínuo para resistir à tendência universal em direção à desordem, um princípio conhecido como entropia. A astrobióloga Betül Kaçar descreve a vida como uma "química que tem memória", sugerindo que a informação estrutural é o fator limitante. Quando o fluxo de energia vital é interrompido, o padrão estrutural se desintegra; o que perece é a configuração específica, e não o material atômico subjacente. Ao falecer, o organismo não sofre destruição atômica; os átomos são realocados para formar novas estruturas, seja por decomposição ou sedimentação geológica. A mortalidade, portanto, é um atributo da forma, e não da substância constituinte.
O paradoxo final reside no fato de que somos a própria matéria ancestral que desenvolveu a capacidade de refletir sobre sua própria finitude. Esses átomos milenares, por uma conjunção estatística notável, organizaram-se em uma entidade capaz de questionar a natureza da morte e da permanência. A Astrobiologia, um campo interdisciplinar que abrange física, química e biologia, estende essa busca para além da Terra, investigando como a vida surge sob diversas condições cósmicas. Um relatório de 17 cientistas, datado de 10 de outubro de 2018, recomendou à NASA o avanço no desenvolvimento de tecnologias para detecção de organismos microscópicos em mundos distantes, enfatizando a necessidade de instrumentos para análise in situ de elementos e matéria orgânica. Isso sublinha que, enquanto a matéria é universalmente duradoura, a manifestação da vida é um fenômeno localizado, dependente de um gradiente energético contínuo, conforme formalizado por Rudolf Clausius com a Segunda Lei da Termodinâmica.
Em última análise, embora a imortalidade biológica seja inatingível, estamos intrinsecamente ligados a um material de essência cósmica e eterna. Somos a rara ocorrência onde átomos originados no Big Bang adquiriram autoconsciência para indagar sobre o ciclo universal de formação e dissolução estrutural. A complexidade da vida, como apontado por Prigogine, reside na auto-organização interna que cria estruturas dissipativas, trocando energia com a vizinhança para escapar momentaneamente do aumento entrópico. A matéria que nos compõe, tendo passado por forjas estelares, agora contempla sua própria transitoriedade.
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Fontes
Gizmodo en Español
Anexo:Isótopos de hidrógeno - Wikipedia, la enciclopedia libre
Hidrógeno - quimica.es
Entropía | Emisión 26. Materialización de los Derechos Sociales - YouTube
From Atoms to Consciousness: What is Life? - YouTube
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