Diálogo Interno Falado: Estratégia Cognitiva para Otimização da Memória em Adultos

Editado por: Olga Samsonova

A psicologia contemporânea tem reavaliado a prática de falar consigo mesmo em voz alta, conhecida como "fala privada", desmistificando-a como um mero indicativo de desequilíbrio mental. Este comportamento é, na verdade, uma manifestação natural de diálogo autodirigido, essencial para a arquitetura do pensamento e a gestão das emoções. Pesquisas recentes indicam que a frequência com que adultos utilizam a fala privada, quando instruídos a fazê-lo, está positivamente correlacionada com o desempenho em tarefas de memória, como demonstrado em estudos com jovens adultos de idade média de 20,13 anos em jogos de correspondência de cartas.

Esta vocalização intencional cumpre funções cruciais no aprimoramento das capacidades cognitivas, incluindo a organização de ideias complexas e o suporte à tomada de decisões sob pressão. A verbalização de comandos, como seguir um roteiro culinário, comprovadamente fixa a informação de maneira mais robusta na memória. Além disso, estudos experimentais revelam que nomear objetos em voz alta acelera significativamente a localização visual e o reconhecimento de itens em um campo visual, sublinhando o papel da fala como um mecanismo de estruturação cognitiva.

A psicologia cognitiva sustenta que o ato de falar em voz alta apoia diretamente a memória de trabalho, um sistema que regula o fluxo de informações sustentadas para a execução de atividades. A estruturação da informação por meio da fala pode mitigar a ansiedade que surge durante a execução de tarefas que exigem alta carga cognitiva. Pesquisas com estudantes universitários demonstraram que a fala privada é mais frequente em tarefas computacionais difíceis, sugerindo um papel autorregulatório sob estresse cognitivo.

Embora a fala privada seja proeminente no desenvolvimento infantil, sua utilização por adultos persiste como uma estratégia de raciocínio e regulação afetiva, especialmente em cenários de alta demanda mental. Uma investigação focada em jovens adultos revelou que o desempenho em tarefas de memória era significativamente melhor nos ensaios em que os participantes mais empregavam a fala privada, independentemente da competência basal da tarefa. Essa evidência desafia generalizações antigas sobre a ontogenia da fala privada, sugerindo que sua mudança pode refletir conhecimento localizado baseado em experiências específicas, e não apenas padrões de desenvolvimento.

O diálogo interno, que inclui tanto a fala encoberta ("inner speech") quanto a fala privada audível, pode ocupar até um quarto do tempo consciente dos adultos, influenciando o bem-estar mental e a função cognitiva. Enquanto a fala encoberta tem sido historicamente o foco da pesquisa em cognição adulta, a fala privada oferece uma quantificação objetiva valiosa. A capacidade da memória de trabalho, ligada à rearticulação subvocal da informação, é fundamental para processos como a decodificação na leitura.

Em suma, a pesquisa psicológica recente consolida que o diálogo autodirigido falado é uma estratégia cognitiva universalmente normal. Seu emprego ativo por adultos visa a otimização da memória, a aceleração da identificação de objetos, a estruturação do raciocínio complexo e o fornecimento de suporte emocional, refutando crenças obsoletas sobre sua ligação com desequilíbrios psíquicos. A regulação emocional, campo estudado na Terapia Cognitivo-Comportamental, demonstra que a fala privada pode ser vista como uma técnica de autorregulação espontânea para lidar com o desconforto.

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Fontes

  • PULZO

  • Infobae

  • Heraldo de Aragón

  • Infobae

  • Diario Occidente

  • YouTube

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