O Presidente Donald Trump anunciou em 6 de janeiro de 2026, via sua plataforma Truth Social, a tomada de controle de um volume significativo de petróleo venezuelano, anteriormente retido por sanções dos EUA. Esta ação estratégica segue a Operação Absolute Resolve, uma operação militar norte-americana que culminou na captura do ex-Presidente Nicolás Maduro em Caracas no dia 3 de janeiro de 2026.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram transportados para Nova York, onde se declararam inocentes das acusações federais de narcotráfico em 5 de janeiro de 2026. A nova diretriz econômica estabelece que a Venezuela entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo sancionado, um volume que equivale a aproximadamente um a dois meses da produção recente do país. Dados indicam que a produção venezuelana caiu para menos de 1 milhão de barris por dia, um declínio acentuado em relação aos quase 3 milhões de barris diários de duas décadas atrás, atribuído a sanções e à má gestão da PDVSA.
O Secretário de Energia, Chris Wright, nomeado em novembro de 2024 e empossado em fevereiro de 2025, foi instruído a executar o transporte imediato do petróleo para portos dos Estados Unidos. O Presidente Trump declarou que as receitas da venda, a preço de mercado, serão controladas por ele para beneficiar o povo da Venezuela e os Estados Unidos. Esta medida estabelece uma afirmação da autoridade financeira dos EUA sobre ativos da nação soberana, levantando questões sobre o papel da recém-empossada Presidente Interina, Delcy Rodríguez.
Rodríguez, designada presidente interina pelo Supremo Tribunal de Justiça venezuelano em 3 de janeiro, condenou a ação dos EUA como um ato de agressão, sustentando que o governo constitucional continua a governar o país. A reação internacional foi marcada por alarme, com as Nações Unidas expressando profunda preocupação com a minagem de um princípio fundamental do direito internacional. A ação militar, justificada pela administração Trump como aplicação da lei, foi contestada por acadêmicos por uma potencial violação do Artigo 2 da Carta da ONU.
A decisão visa redirecionar suprimentos que seriam destinados à China, principal comprador da Venezuela nos últimos anos, especialmente após as sanções de 2020. O setor energético venezuelano, que já enfrentava o congelamento de cerca de 7 bilhões de dólares em ativos da PDVSA nos EUA, agora opera sob uma nova dinâmica. A Chevron permanece como a única empresa dos EUA ativa, controlando o fluxo de 100.000 a 150.000 barris diários para os EUA sob autorização prévia.
Analistas apontam que, embora o petróleo seja o foco, a intervenção possui um componente político doméstico. A reconstrução da infraestrutura venezuelana exige um investimento estimado em 183 bilhões de dólares ao longo de dez anos. A manobra consolida um controle financeiro inédito, com o objetivo declarado de reativar o setor com investimentos americanos, apesar da cautela demonstrada por executivos do setor devido à instabilidade política persistente.
