
Europa muda regras de entrada a partir de 10 de abril: o que é o EES e o que esperar na fronteira
Autor: Aleksandr Lytviak

A partir de 10 de abril de 2026, o Entry/Exit System (EES) — um novo sistema digital de registro de entradas e saídas — será totalmente implementado em 29 países do Espaço Schengen. Ele substitui os tradicionais carimbos no passaporte pelo registro biométrico: impressões digitais e reconhecimento facial. Turistas de fora da UE (incluindo Brasil, EUA, Reino Unido e outros) passarão por este procedimento em viagens de curta duração, de até 90 dias em um período de 180 dias.
Esta é a mudança mais significativa nas fronteiras europeias nos últimos anos. O objetivo é automatizar o controle, monitorar com maior precisão o tempo de permanência e reduzir fraudes documentais.
O que aconteceu
A Comissão Europeia confirmou oficialmente: a partir de 10 de abril de 2026, o EES torna-se totalmente obrigatório em todas as fronteiras externas de Schengen. O sistema iniciou o seu lançamento gradual em 12 de outubro de 2025, mas, até agora, nem todos os postos de controle ou dados estavam sendo coletados integralmente. Agora, os carimbos nos passaportes serão abolidos definitivamente, sendo substituídos por um registro digital.
Na primeira entrada, os cidadãos que não pertencem à UE deverão fornecer:
- impressões digitais (geralmente de quatro dedos de cada mão);
- uma fotografia do rosto;
- os dados do passaporte.
Em viagens subsequentes, o sistema apenas comparará a biometria com o registro já existente, o que deve agilizar o processo no futuro.
O que isso significa para os turistas
As filas na fronteira podem aumentar nas primeiras semanas e, especialmente, durante a temporada de verão. Aeroportos como os de Paris, Frankfurt, Amsterdã e Madri já alertam para possíveis atrasos. Em vez de um carimbo rápido, será necessário dirigir-se a um balcão específico ou a um terminal de autoatendimento.
Vantagens: o sistema calcula automaticamente os dias de permanência, reduzindo o risco de ultrapassar acidentalmente o limite de 90 dias. Além disso, a biometria auxilia no combate a passaportes falsos e infrações reincidentes.
Desvantagens: na primeira vez, o procedimento será mais demorado, levando de alguns minutos a cerca de 10 ou 15, dependendo do fluxo. Em períodos de pico (verão de 2026), alguns países poderão suspender temporariamente certos elementos do EES para evitar o colapso do sistema.
O que já se sabe com certeza
- A quem se aplica: cidadãos de fora da UE que entram no Espaço Schengen para estadias curtas (turismo, negócios, trânsito). Cidadãos da UE, de países Schengen e portadores de autorização de residência ou vistos de longa duração estão isentos.
- Exceções: Irlanda e Chipre não participam do EES.
- Período de retenção de dados: a biometria é armazenada por até 5 anos ou até a expiração do registro.
- Pré-registro: não é necessário. Tudo ocorre na fronteira. Em alguns aeroportos, já estão sendo testados terminais de autoatendimento e o aplicativo móvel "Travel to Europe".
- Carimbos: a partir de 10 de abril, eles não serão mais utilizados.
Todas as informações foram confirmadas pelo site oficial da Comissão Europeia e por declarações emitidas em 30 de março de 2026.
Se você possui autorização de residência em um país Schengen
1. Você não deve ser registrado no EES.
Ou seja, ao cruzar a fronteira externa de Schengen, não deve haver um registro de entrada/saída no EES para você, como ocorre com os turistas de curta permanência. Consequentemente, o EES não deve contabilizar seus dias de estadia como faria com um visitante comum sob a regra de 90/180 dias.
2. A biometria específica para o EES geralmente não é necessária.
Fotos e impressões digitais no âmbito do novo sistema são coletadas de quem viaja para estadias curtas (short stay): com visto de curta duração ou sem visto por até 90 dias em um período de 180 dias. Portadores de autorização de residência ou vistos de longa duração estão excluídos deste esquema.
3. O direito de viver no país que emitiu a autorização de residência permanece como antes.
A calculadora oficial de 90/180 dias indica explicitamente: se você possui uma autorização de residência da UE ou um visto de longa duração, a regra de 90/180 dias não se aplica à sua permanência sob esse documento.
4. Geralmente, você pode viajar para outros países Schengen por curtos períodos — até 90 dias em 180 dias.
Se a sua autorização de residência foi emitida por um país Schengen, você pode normalmente viajar para outro país do bloco para uma estadia curta de até 90/180 dias, desde que respeitadas as condições habituais de viagem. Isso não é considerado “viver com autorização de residência” em outro país, mas sim uma viagem curta.
5. As verificações de documentos continuam existindo.
O EES não anula o controle de fronteira em si. Na prática, você ainda precisará de um passaporte válido + autorização de residência/cartão de residente válido. Além disso, dentro de Schengen, caso controles internos sejam temporariamente restabelecidos, é recomendável ter os documentos em mãos.
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Fontes
home-affairs.ec.europa.eu
euronews.com
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