Mercados financeiros mundiais reagem com otimismo à trégua entre EUA e Irã; ações da Shell registam queda
Editado por: Tatyana Hurynovich
Os mercados financeiros globais registaram um avanço considerável nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitar um cessar-fogo condicional de duas semanas com o Irã. Esta decisão estratégica foi tomada poucas horas antes de expirar um ultimato que previa ataques à infraestrutura civil iraniana. O acordo diplomático foi o resultado de uma mediação de emergência conduzida pelo Primeiro-Ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O Irã confirmou a sua concordância com os termos, estabelecendo como condição a retoma imediata e completa da navegação pelo Estreito de Ormuz, a qual, segundo as autoridades iranianas, será assegurada através de coordenação, apesar das existentes limitações técnicas.
A trégua interrompeu uma potencial escalada do conflito iniciado a 28 de fevereiro de 2026, exercendo um impacto imediato na estabilidade geopolítica e nos fluxos globais de energia. As bolsas europeias reagiram à notícia com um crescimento expressivo, sinalizando o alívio dos investidores quanto à ameaça de interrupções prolongadas no comércio e no fornecimento energético. O índice STOXX Europe 600 subiu 3,6%, atingindo os 611,86 pontos, o que pode representar o maior salto diário do ano se o ímpeto se mantiver. O índice alemão DAX valorizou 4,5% para os 23.956 pontos, enquanto o FTSE 100 de Londres avançou 2,5%. Setores ligados ao turismo, indústria e banca cresceram entre 5% e 7%, beneficiando tradicionalmente da redução dos custos energéticos e da queda nos rendimentos das obrigações.
Em contrapartida, o setor da energia nos mercados europeus recuou 4,2% devido à queda acentuada nos preços das matérias-primas. Os futuros do petróleo Brent caíram mais de 15%, descendo para níveis próximos de 94,50 dólares por barril, enquanto os futuros do WTI ficaram abaixo dos 95 dólares. Dados específicos das 06:15 GMT mostraram o Brent a 92,9 dólares (queda de cerca de 15%) e o WTI a 94,8 dólares (queda de cerca de 16%). Os futuros do gás também sofreram uma redução significativa de mais de 17%, fixando-se nos 44 euros por MWh, com o contrato holandês TTF a cair 16,2% para 44,61 euros por megawatt-hora. No entanto, estes valores ainda superam o patamar pré-conflito de cerca de 70 dólares por barril, indicando a permanência de um prémio de risco geopolítico nos preços.
A gigante Shell apresentou o seu resumo preliminar do primeiro trimestre de 2026, revelando impactos financeiros mistos decorrentes do conflito no Médio Oriente. A empresa comunicou uma provável redução nos volumes de produção de petróleo, citando ataques a instalações no Catar, o que contrasta com a previsão anterior de produção integrada de gás entre 920.000 e 980.000 barris de equivalente de petróleo por dia. Contudo, a Shell registou margens de refinação e lucros de marketing consideravelmente superiores. Apesar disso, as ações da Shell PLC, cuja capitalização de mercado é de 263,71 mil milhões de dólares, caíram 5,2% face à descida generalizada dos preços do crude, sublinhando a forte ligação entre a dinâmica de mercado das petrolíferas e os preços das commodities, independentemente dos resultados operacionais.
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Fontes
Gestión
deaandeelhouder.nl
CBS News
The Guardian
Reuters
TIME
LA Times
The Economic Times
Equals Money
Investing.com
Morningstar
MarketScreener Nederland
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