Avanços na Comunicação de Golfinhos: IA Auxilia Análise de Vocalizações Compartilhadas

Editado por: Olga Samsonova

Pesquisas em andamento revelam um vocabulário social entre os golfinhos-nariz-de-garrafa que se mostra mais complexo do que se supunha, transcendendo a mera existência de assobios de assinatura individuais. Este trabalho é conduzido pelo Programa de Pesquisa de Golfinhos de Sarasota (SDRP), sediado perto de Sarasota, Flórida, que detém o registro de estudo mais longo do mundo sobre uma população de cetáceos selvagens, iniciado em 1970. O SDRP é uma colaboração que inclui o Mote Marine Laboratory & Aquarium e é liderado por Randall Wells, do Brookfield Zoo Chicago, monitorando atualmente cerca de 170 golfinhos conhecidos.

A Dra. Laela Sayigh, especialista sênior da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), que se juntou à equipe em meados da década de 1980, confirmou a estabilidade dos assobios de assinatura ao longo da vida do animal, funcionando como identificadores pessoais. Os achados comportamentais detalham uma sofisticação na interação mãe-filhote, onde as mães emitem versões de frequência mais elevada de seus assobios de assinatura ao se dirigirem aos filhotes, um fenômeno análogo à "mãe-fala" observada em humanos. Adicionalmente, observou-se que os golfinhos iniciam interações sociais copiando o assobio de assinatura de outro indivíduo, reforçando a função identificatória desses sons.

A descoberta mais recente reside na identificação de uma miríade de tipos de assobios não-assinatura (NSWs) compartilhados, utilizados por múltiplos indivíduos dentro da comunidade. O Banco de Dados de Assobios de Golfinhos de Sarasota catalogou pelo menos 20 tipos distintos de NSWs compartilhados, os quais compõem aproximadamente 50% dos assobios produzidos pelos golfinhos estudados. A pesquisa, que utilizou hidrofones de ventosa fixados durante avaliações de saúde de liberação e captura, permitiu a construção de um arquivo acústico robusto para o estudo dessas vocalizações.

Experimentos de reprodução sonora indicam que esses assobios compartilhados possuem funções comunicativas específicas e contextuais, sugerindo um potencial análogo ao de "palavras" no sistema de comunicação dos golfinhos. Um tipo de NSW correlacionou-se consistentemente com uma resposta de alarme, provocando que os golfinhos se afastassem da fonte sonora, enquanto outro parece sinalizar surpresa diante de estímulos inesperados.

Para auxiliar na categorização dessas vocalizações complexas, os pesquisadores aplicam técnicas de Inteligência Artificial. A utilização de IA, como o modelo DolphinGemma desenvolvido pelo Google em colaboração com o Wild Dolphin Project, visa acelerar a análise de dados que, manualmente, levaria mais de um século, permitindo inferir significados a partir dos padrões de uso dos assobios. Estes avanços, que renderam reconhecimento como finalistas do prêmio Coller-Dolittle, abrem caminho para uma compreensão mais profunda da evolução da linguagem e comunicação interespecífica.

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Fontes

  • Yahoo

  • GOOD

  • WHOI

  • National Today

  • Let's Data Science

  • Sarasota Dolphin Research Program | Mote Marine Laboratory & Aquarium

  • WLRN Public Media

  • Mote Marine Laboratory & Aquarium

  • Sarasota Dolphin Research Program

  • Frontiers in Marine Science

  • Mirage News

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