Governos Adotam Estrutura para Conservação de Aves Migratórias em Rotas Oceânicas

Editado por: Olga Samsonova

Governos Adotam Estrutura para Conservação de Aves Migratórias em Rotas Oceânicas-1

Governos internacionais formalizaram a adoção de uma estratégia de conservação pioneira, focada na proteção de corredores migratórios conhecidos como rotas marítimas (marine flyways). Esta iniciativa visa superar a proteção fragmentada que historicamente afetou espécies que atravessam múltiplas jurisdições políticas em vastas bacias oceânicas, exigindo uma abordagem coordenada para garantir a conectividade essencial para a sobrevivência de aves marinhas em seus ciclos anuais de alimentação e reprodução.

O arcabouço conceitual foi ratificado durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), realizada em Campo Grande, Brasil, entre 23 e 29 de março de 2026. O encontro, sediado pelo Brasil, reuniu mais de duas mil pessoas, incluindo representantes governamentais, cientistas e a sociedade civil, consolidando o protagonismo do país no debate global sobre biodiversidade. A CMS é reconhecida como a instância máxima de decisão de um tratado multilateral da ONU.

Investigações científicas mapearam seis rotas migratórias marinhas principais, abrangendo os Oceanos Atlântico, Pacífico, Índico e Antártico, que interligam os movimentos de 151 espécies de aves marinhas. O novo quadro intergovernamental estabelece o reconhecimento da conectividade essencial para a sobrevivência dessas espécies, identificando mais de 1.300 Áreas Chave de Biodiversidade ao longo desses corredores.

A COP15 também aprovou medidas para proteger outras espécies, incluindo a inclusão da ariranha e planos de ação para grandes bagres migratórios amazônicos, como a dourada e a piramutaba, com a participação de nações como Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, por meio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). As principais ameaças identificadas ao longo destas rotas oceânicas incluem a introdução de espécies exóticas invasoras, a captura acidental em atividades de pesca (bycatch) e as repercussões das alterações climáticas, além da poluição por plásticos e petróleo.

Para catalisar a execução das ações estipuladas, a BirdLife International anunciou a organização da Cúpula Global de Rotas Migratórias (Global Flyways Summit) em Nairóbi, Quênia, agendada para setembro de 2026. A cooperação transfronteiriça, princípio fundamental para a conservação em rotas migratórias, reflete-se em outras iniciativas regionais, como o lançamento da primeira rota de aviturismo transfronteiriça de África pelo Kavango Zambezi TFCA. O Brasil, corredor crucial para cerca de 150 espécies de aves marinhas registradas em sua costa, mantém um papel consolidado nas discussões ambientais globais.

A adoção deste novo referencial normativo representa um avanço fundamental para a gestão integrada da biodiversidade, ligando a ciência à governança para reduzir lacunas históricas na proteção de fauna que transcende fronteiras políticas.

6 Visualizações

Fontes

  • Mongabay

  • Impactful Ninja

  • Mongabay

  • Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals

  • Impactful Ninja

Encontrou um erro ou imprecisão?Vamos considerar seus comentários assim que possível.