
Capivaras em Cuiabá Demonstram Uso Coordenado de Faixa de Pedestres
Editado por: Olga Samsonova

Uma observação incomum de organização da fauna silvestre foi registrada em Cuiabá, Mato Grosso, onde um grupo de capivaras utilizou um cruzamento de pedestres de forma metódica, lembrando a famosa imagem dos Beatles na Abbey Road. O flagrante, capturado pelo motorista Lucas Abreu, mostrou os grandes roedores aguardando com paciência o momento adequado para cruzar a via movimentada, indicando uma ação coordenada dentro do bando. O grupo pareceu seguir uma hierarquia implícita, aguardando a iniciativa de um indivíduo antes de prosseguir em fila sobre a faixa de trânsito.
A cooperação foi mútua, pois um ônibus que se aproximava acionou os freios, respeitando a passagem organizada dos animais, um reflexo da coexistência entre humanos e fauna no ambiente urbano da capital. Tais avistamentos tornaram-se frequentes nas paisagens urbanizadas de Cuiabá, sublinhando a expansão da presença das capivaras em ambientes metropolitanos. Este comportamento de atravessar a rua em fila sobre a faixa de pedestres é interpretado por especialistas como um aprendizado social, onde mamíferos inteligentes registram que veículos param no local demarcado, transmitindo esse conhecimento à manada.
Em resposta a essa dinâmica, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em colaboração com a Prefeitura de Cuiabá, formalizou o Projeto Capivaras Urbanas. A coordenadora da iniciativa, professora Viviane Layme do Instituto de Biologia da UFMT, detalhou que o estudo, com previsão de 24 meses, mapeará o tamanho, a distribuição e a movimentação da população, com foco nos parques Tia Nair e das Águas. O objetivo principal é desenvolver um plano de manejo que assegure o bem-estar dos animais e a harmonia com os moradores da baixada cuiabana, priorizando a segurança de ambos.
A proximidade crescente entre a população humana e as capivaras em Cuiabá também levanta preocupações sanitárias, notadamente relacionadas à Febre Maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela, vetor da bactéria Rickettsia. A médica veterinária Adriana Borsa, da UFMT, observou que, embora não haja registro de casos na região, o Sudeste do país já registrou óbitos, o que exige cautela. O plano de ação do projeto da UFMT inclui a identificação de locais de maior risco de colisão entre veículos e animais para prevenir atropelamentos, que são acidentes recorrentes na cidade.
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) emitiu um alerta enfatizando que a morte ou maus-tratos contra as capivaras não constituem uma solução para o controle da doença, pois o parasita simplesmente buscará outro hospedeiro. A gestão da fauna urbana em Cuiabá, portanto, configura-se como um desafio complexo que exige o equilíbrio entre ecologia, segurança viária e saúde pública. Como medida de reconhecimento e alerta visual, a própria prefeitura, via Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), instalou faixas de pedestres com ilustrações de patinhas amarelas no Parque das Águas em novembro de 2024.
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Fontes
globo.com
FOLHAMAX | Últimas Notícias de Cuiabá e Mato Grosso
Revista Amazônia
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VG Notícias
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