Instinto Canino de Circular Antes de Deitar: Herança Evolutiva dos Lobos

Editado por: Olga Samsonova

Observadores atentos do comportamento canino notam frequentemente um ritual peculiar: o animal realiza uma série de giros no próprio eixo antes de se acomodar para o descanso, seja sobre um tapete ou uma cama macia. Essa ação, confirmada por especialistas em comportamento animal, transcende a mera excentricidade, estando profundamente ligada a instintos de segurança e conforto herdados diretamente de seus ancestrais selvagens, como os lobos. A persistência desse padrão em cães domésticos, mesmo em ambientes controlados e seguros, demonstra a força da programação genética acumulada ao longo de milhares de anos de evolução.

O ato de circular é um resquício direto das práticas de sobrevivência dos lobos na natureza, conforme apontado por estudos de etologia. Naquele contexto primordial, a rotação servia a múltiplas funções essenciais. Os lobos utilizavam o movimento para achatar a vegetação densa, criando uma superfície mais nivelada e macia para o repouso, o que também ajudava no conforto térmico. Além disso, essa preparação do local de descanso incluía uma varredura ambiental rápida para identificar a presença de predadores ou ameaças ocultas, garantindo um posicionamento estratégico para a noite.

Um aspecto crucial desse comportamento ancestral é a marcação territorial, um elemento vital para a organização social dos canídeos selvagens. Ao girarem, os cães liberam feromônios específicos através das glândulas localizadas nas almofadas das patas, demarcando o local do sono como um espaço seguro e familiar. Embora os cães urbanos de 2025 não enfrentem os mesmos perigos de seus antepassados, esse protocolo instintivo permanece ativo, funcionando como um mecanismo inconsciente de autoconforto e delimitação de espaço pessoal.

Embora o giro seja, na maioria das vezes, um indicativo de um comportamento canino normal e saudável, a intensidade e a frequência desse ritual podem fornecer pistas sobre o bem-estar do animal. Variações no padrão, como giros excessivos, inquietação prolongada ou dificuldade notável em se estabelecer, podem sinalizar desconfortos subjacentes. Condições como dores articulares, frequentemente observadas em cães mais velhos ou naqueles com displasia, ou mesmo níveis elevados de ansiedade e estresse, podem manifestar-se através dessa alteração no ritual de deitar. Nesses cenários, uma avaliação veterinária se torna fundamental para assegurar a saúde integral do companheiro de quatro patas.

Em suma, o giro antes de dormir é uma fascinante janela para a história evolutiva do cão, um elo vivo com o comportamento dos lobos, que priorizavam a segurança, o conforto e a organização do território. Esse hábito, que se repete mesmo sobre colchões de alta qualidade, sublinha a complexa interação entre a herança genética e a adaptação ao ambiente doméstico contemporâneo, oferecendo ao tutor uma oportunidade de compreender a profundidade do seu instinto canino.

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Fontes

  • O Antagonista

  • Correio Braziliense

  • Revista Oeste

  • Meu Doguinho

  • Amigo Bicho

  • O Antagonista

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