Abstinência Digital Estruturada Melhora Bem-Estar Psicológico de Jovens, Indicam Estudos

Editado por: Olga Samsonova

Revisões recentes na área da psicologia confirmam que a prática de abstenção digital estruturada gera um impacto positivo na saúde mental de adolescentes. Este achado é relevante em um contexto onde especialistas estimam que cerca de 48% da população mundial pode apresentar um quadro de dependência de smartphones, com a juventude sendo particularmente suscetível às relações mediadas pelas mídias sociais.

Pesquisas anteriores já estabeleciam uma correlação entre o uso intensivo de redes sociais, definido como mais de três horas diárias, e uma maior probabilidade de sintomas depressivos em adolescentes, conforme um trabalho de Twenge e Campbell de 2018. Um estudo focalizado demonstrou que um período de jejum telefônico de três semanas resultou em um aumento de 30% no bem-estar mental geral entre os estudantes participantes. Adicionalmente, essa interrupção digital levou a uma redução de 30% nos sintomas depressivos e a uma melhoria na satisfação com a imagem corporal após a suspensão do uso da plataforma Instagram.

Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Harvard, liderado por John Torous, mostrou que reduzir o uso de redes sociais por sete dias esteve associado a uma queda de 24,8% nos sintomas de depressão e 16,1% nos de ansiedade. Um estudo da Real Sociedade de Saúde Pública do Reino Unido, analisando jovens de 14 a 24 anos, já havia sugerido que o Instagram poderia ser a rede social mais prejudicial, afetando negativamente a autoestima e as horas de sono. Os benefícios mensuráveis obtidos com breves períodos de jejum digital superam, em alguns aspectos, os resultados observados em intervalos de férias convencionais na mitigação da sobrecarga digital.

A imaturidade cerebral da adolescência torna esses indivíduos mais suscetíveis à influência das plataformas, que utilizam design viciante e algoritmos para direcionar a atenção. A necessidade de validação externa digital, manifestada pela busca por curtidas, pode fragilizar a autoimagem e reduzir a capacidade de autoafirmação offline, um ponto de atenção para educadores e pais. A ausência de regras claras de uso digital no ambiente familiar contribui para a dificuldade de desmame, visto que, como constatado em audiências no Brasil, os pais também podem priorizar o uso por conveniência.

Pesquisas anteriores, como a de Orben e Przybylski (2019) com mais de 120 mil adolescentes, indicaram que o uso de redes sociais tem efeitos estatisticamente pequenos, mas clinicamente relevantes, sobre o bem-estar, especialmente em jovens com menor suporte familiar. A conscientização sobre os riscos, como o impacto negativo do Instagram na autoimagem, onde 51% dos jovens britânicos relataram sentir a necessidade de criar uma "imagem perfeita", é o primeiro passo. A implementação de estratégias de redução, como o jejum digital, surge como uma ferramenta prática para reequilibrar a saúde mental juvenil em face da conectividade atual.

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Fontes

  • Vienna Online

  • Symposium 2026 | Handy – Sucht, Schreckgespenst oder Geißel unserer Zeit | Sigmund Freud PrivatUniversität Wien

  • Smartphone as a Drug: When the Smartphone Becomes an Addiction - VOL.AT

  • 18th International Conference on Addiction & Psychiatry 2026 in Vienna, Austria

  • Anton Proksch Institut in Wien

  • Smartphone Addiction Statistics 2026: How Bad Is It Now? - XtendedView

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