Padrões de Personalidade Ocultam Ansiedade: Autoexigência e Super-Gentileza em Foco
Editado por: Olga Samsonova
Pesquisas em psicologia clínica indicam que estados de ansiedade e estresse frequentemente se manifestam de forma velada, mascarados por traços socialmente valorizados, como a extrema gentileza e um elevado senso de responsabilidade. Essa camuflagem dificulta o reconhecimento precoce do sofrimento interno, transformando qualidades admiradas em potenciais catalisadores para o mal-estar crônico. A Dra. Ángela Fernández, psicóloga, identificou um conjunto de características de personalidade proeminentes em indivíduos que vivenciam a ansiedade, sinalizando a necessidade de observação atenta e de estratégias de gestão proativas.
O primeiro padrão destacado é a Autoexigência Excessiva, frequentemente referida como perfeccionismo, cujas raízes podem residir na infância, quando o reconhecimento estava condicionado ao desempenho. Indivíduos com este traço impõem a si mesmos padrões rigorosos, considerando insuficientes mesmo bons resultados, o que alimenta uma autocrítica implacável e um medo constante de falhar. Especialistas sugerem que o treinamento da flexibilidade cognitiva e a aceitação explícita do erro como parte do processo são medidas cruciais para neutralizar essa autocrítica destrutiva, que pode culminar em esgotamento profissional ou procrastinação motivada pelo medo de não atingir a suficiência.
Em segundo lugar, a Super-Gentileza, ou amabilidade em excesso, representa um risco significativo para o equilíbrio emocional. Este comportamento implica priorizar continuamente as necessidades alheias, resultando em uma dificuldade acentuada em estabelecer limites pessoais e, consequentemente, em sobrecarga emocional. A Dra. Fernández ressalta que, embora a cooperação seja louvável, quando a generosidade deriva da carência ou do receio de não ser aceito, ela se torna exaustiva e demanda aprovação constante. A prática consciente de recusar pedidos sem sentir culpa é apontada como um passo essencial para a preservação da saúde mental e a manutenção do equilíbrio emocional.
O terceiro fator identificado pela Dra. Fernández é a Alta Reatividade Emocional, correlacionada ao traço de neuroticismo. Pessoas com este perfil tendem a experimentar emoções negativas com intensidade desproporcional, reagindo de forma exagerada a contratempos menores, como um ruído inesperado ou a frustração de um plano. Para gerenciar essa sensibilidade do sistema nervoso, a incorporação de rotinas que promovam a serenidade e o cultivo ativo da autocompaixão são estratégias recomendadas. A disciplina e a sensibilidade são qualidades valiosas, mas seus extremos podem ativar respostas de alerta e controle diante da natureza mutável da realidade.
Reconhecer essas manifestações é fundamental para uma gestão eficaz da saúde mental, permitindo que o foco se desloque de causas puramente emocionais ou biológicas para a modificação de padrões comportamentais internalizados. Estudos, como um realizado na Universidade da Colúmbia Britânica em 2015, demonstraram que atos de gentileza diários auxiliaram pacientes com ansiedade a relaxar, elevando os níveis de dopamina e serotonina em quatro semanas. A busca pela excelência, quando desequilibrada pelo perfeccionismo, pode levar a um ciclo de autocrítica e estresse crônico, conforme pesquisas que ligam essa procura incessante por padrões irrealistas à ansiedade e depressão. O caminho para o bem-estar reside no autoconhecimento e na aplicação de ajustes comportamentais sustentáveis, como o estabelecimento de limites claros e a prática da autorreflexão.
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Fontes
HERALDO
El Confidencial
ElMon
Men's Health
AS.com - Diario AS
Lecturas
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