A Filologia como Alicerce da Mitologia de Tolkien na Terra Média

Editado por: Vera Mo

A admiração duradoura pelo universo ficcional concebido por J.R.R. Tolkien reside na sua dupla competência como visionário e filólogo rigoroso. Tolkien, que lecionou em diversas áreas, incluindo Inglês Antigo, Inglês Médio, Nórdico Antigo, Gótico, Filologia Germânica e Galês Medieval, primeiro na Universidade de Leeds entre 1920 e 1925, e posteriormente na Universidade de Oxford, onde ocupou a cátedra de Anglo-Saxão de 1925 a 1945, e a de Língua Inglesa e Literatura até sua aposentadoria em 1959, edificou seu mundo primariamente através de idiomas complexos e altamente codificados.

A invenção dessas línguas, um processo que o autor denominava glossopoeia, constituiu a base essencial para a criação de sua mitologia. Tolkien sustentava que as narrativas foram desenvolvidas para dar um mundo às línguas, e não o contrário. O desenvolvimento intrincado dessas construções linguísticas, como o Quenya e o Sindarin, línguas élficas proeminentes, impulsionou o surgimento de uma história paralela, completa com seu próprio cânone de lendas e personagens míticos, estabelecendo o fluxo narrativo que se estende de O Hobbit à trilogia O Senhor dos Anéis, publicada entre 1954 e 1955.

Tolkien canalizou suas inspirações, fortemente influenciadas por sagas nórdicas e lendas anglo-saxônicas, para este corpo monumental de trabalho. O autor faleceu em 2 de setembro de 1973, em Bournemouth, Inglaterra, aos 81 anos, mas seu legado continua a catalisar a imaginação, mantendo sua relevância décadas após a conclusão da trilogia.

Na década de 1960, a obra experimentou um significativo ressurgimento cultural, tornando-se um pilar para a disseminação de ideais contraculturais, especialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde a juventude interpretava as forças do mal da Terra Média como uma alegoria para estruturas políticas vistas como ultrapassadas. Essa popularidade foi impulsionada por edições de bolso norte-americanas em meados dos anos 60, transformando a trilogia em um fenômeno de culto. O tema ambientalista, com vilões industrializados contrastando com heróis em sintonia com a natureza, ressoou profundamente com os movimentos ecologistas da época.

A influência cultural se consolidou, com entidades como Orcs, Elfos e Hobbits integrando-se ao imaginário popular, encontrando espaço em jogos de RPG de mesa, como Dungeons & Dragons, e em produções eletrônicas. O estudo acadêmico das criações de Tolkien permanece ativo, com análises contínuas desvendando novas camadas de sua obra.

A The Tolkien Society, uma instituição de caridade educacional e sociedade literária fundada em 6 de novembro de 1969 por Vera Chapman, dedica-se a fomentar o estudo e a promoção da vida e obra do autor. Tolkien foi seu presidente in perpetuo, e sua filha, Priscilla Tolkien, ocupa a posição de vice-presidente in perpetuo. A Sociedade, sediada no Reino Unido, continua a nutrir novas gerações de estudiosos por meio de publicações como os periódicos Amon Hen e Mallorn, e a organização de eventos anuais como o Birthday Toast em 3 de janeiro.

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Fontes

  • ARTE

  • Télé-Loisirs

  • Il Foglio

  • eNotes.com

  • EBSCO

  • An Immortal Legacy from Middle-earth: 134 Years Since the Birth of J. R. R. Tolkien

  • Michael Lonsdale - Wikipedia

  • Tolkien Society Bursary

  • J.R.R. Tolkien, des mots, des mondes sur Arte : résumé et diffusions

  • Scholarship - The Tolkien Estate

  • An Immortal Legacy from Middle-earth: 134 Years Since the Birth of J. R. R. Tolkien

  • Why 'The Lord of the Rings' is More Relevant Today Than Ever Before - Medium

  • JRR Tolkien's AI Warning for 2026 | Paul List - YouTube

  • Why are 'Lord of the Rings' movies making a return in 2026? | Retromash

  • The official Tolkien calendar for 2026 focuses on the three "Great Tales" of Middle-earth, and it's the perfect timepiece for LOTR fans - GamesRadar

  • Britannica

  • Il Foglio

  • Wikipedia

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