ESA Revela o Primeiro Mosaico Noturno em Cores Calibradas da Europa Capturado da Estação Espacial Internacional

Editado por: Tetiana Martynovska 17

O brilho noturno da Europa visto do espaço

A Agência Espacial Europeia (ESA) acaba de apresentar um mosaico noturno de alta fidelidade da Europa. Esta composição visual detalhada constitui a primeira representação em cores verdadeiras, elaborada a partir de imagens espaciais calibradas. O produto final foi montado a partir de um acervo de mais de 7.000 fotografias tiradas por astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) ao longo do ano de 2017. É importante notar que, até 2021, a ISS era a principal plataforma orbital capaz de gerar visualizações noturnas da Terra com tal nível de precisão e cor autêntica.

A resolução espacial alcançada com essas fotografias dos astronautas é notável, chegando a impressionantes cinco metros por pixel. Este nível de detalhe supera significativamente a capacidade de captura usual de muitos satélites de observação terrestre atuais. O Dr. Alejandro Sánchez de Miguel, líder da iniciativa 'Cities at Night' (Cidades à Noite), salientou que grande parte da iconografia noturna europeia existente baseia-se em representações artísticas derivadas de dados monocromáticos, o que implica uma ausência de informação espectral genuína. Para processar as imagens brutas e corrigir as distorções ópticas inerentes à captura, o projeto 'Cities at Night' empregou algoritmos de inteligência artificial, complementados pela valiosa contribuição da ciência cidadã.

As variações cromáticas visíveis no mosaico oferecem um indicativo direto da tecnologia de iluminação predominante em diferentes regiões europeias. As áreas que exibem tons mais quentes, avermelhados, estão geralmente associadas a fontes de luz de vapor de sódio de gerações mais antigas. Em contrapartida, os trechos iluminados por luzes mais brancas e azuladas sinalizam a ampla adoção de luminárias modernas de Diodo Emissor de Luz (LED) na iluminação pública. Esta transição para um espectro mais branco e azulado é motivo de preocupação científica. Especialistas alertam que a expansão dessa iluminação interfere nos ciclos naturais noturnos, levantando desafios ecológicos e fisiológicos, especialmente no que tange à perturbação dos ritmos circadianos.

Investigações científicas já apontaram três consequências prejudiciais principais ligadas a esta tendência luminosa. Estas incluem a supressão da melatonina, o hormônio regulador do sono; reações comportamentais adversas observadas em insetos e morcegos; e uma diminuição geral na visibilidade dos corpos celestes. O Dr. Sánchez de Miguel ressaltou o valor histórico deste material calibrado. Segundo ele, este mosaico proporciona uma oportunidade ímpar para analisar retrospectivamente os níveis de poluição luminosa anteriores à era dos satélites sensíveis à cor. A divulgação deste mosaico no final de 2025 confirma sua utilidade imediata tanto para a pesquisa atual quanto para o monitoramento ambiental corrente.

A alta resolução das imagens capturadas pelos astronautas contrasta fortemente com dados de satélite de menor resolução, como os do Visível Infravermelho de Imagem Radiômetro Suite Banda Dia-Noite (VIIRS DNB), que tipicamente oferecem uma resolução de cerca de 750 metros. O projeto 'Cities at Night', que mobilizou cidadãos através de fases como 'Dark Skies' e 'Lost at Night', tem como meta catalogar e georreferenciar quase meio milhão de fotografias para mapear a Terra à noite em cores verdadeiras. Este esforço é crucial, considerando que o brilho noturno global aumentou em aproximadamente 10% anualmente na última década. Além disso, a adoção de LEDs, embora visasse a economia de energia, gerou um efeito de 'rebote' em alguns casos, incrementando a iluminação total e contribuindo para um aumento da poluição luminosa em quase 60 países entre 2012 e 2015, em proporções que variaram de 110% a 150%. Para se ter uma ideia da dimensão econômica, a iluminação pública apenas no território da União Europeia já foi estimada em um custo anual de 6,8 bilhões de euros, sublinhando as múltiplas dimensões deste estudo.

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Fontes

  • Universe Space Tech

  • ESA

  • EU-Citizen.Science

  • Alejandro Sánchez de Miguel

  • NASA Science

  • ResearchGate

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