Long March-2C
China Realiza Dois Lançamentos Espaciais Consecutivos em 48 Horas com Foguetes Longa Marcha e Ceres-1S
Editado por: Tetiana Martynovska 17
O programa espacial chinês iniciou o ano de 2026 com uma notável cadência operacional, executando dois lançamentos orbitais em 14 e 15 de janeiro. Esta sequência de eventos sinaliza a aceleração das ambições espaciais de Pequim, que, segundo projeções, poderá superar a marca de 100 lançamentos totais somente neste ano. Os dois voos, o terceiro e o quarto da China em 2026, demonstram a diversidade de objetivos estratégicos, abrangendo tanto entregas a parceiros internacionais quanto o desenvolvimento de constelações comerciais nacionais.
Ceres-1
A primeira missão, ocorrida em 14 de janeiro, utilizou um veículo Longa Marcha 2C, lançado às 12:01 p.m. CST do Centro de Lançamento de Jiuquan. Este foguete colocou em órbita o satélite de Sensoriamento Remoto da Argélia, o AlSat-3A. O satélite foi desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST) em colaboração com a China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) para a Agência Espacial Argelina (ASAL). A missão AlSat-3A é crucial para o planejamento do uso da terra e a prevenção de desastres na Argélia, representando a primeira entrega sob um contrato de julho de 2023 para duas plataformas ópticas, um projeto que inclui sistemas terrestres e treinamento de especialistas argelinos.
No dia seguinte, 15 de janeiro, a segunda operação marcou o retorno bem-sucedido da série de foguetes comerciais Ceres-1, após uma falha registrada em novembro de 2025. A empresa privada Galactic Energy utilizou a plataforma marítima Defu 15001 para lançar o Ceres-1S Y7 às 4:10 a.m. Hora de Pequim. Esta missão inseriu com sucesso quatro satélites destinados à constelação de Internet das Coisas (IoT) Tianqi em uma órbita terrestre baixa (LEO) de 850 km. Este foi o 23º voo da família Ceres-1 e o sexto lançamento realizado a partir do mar, evidenciando a capacidade de rápida resposta do setor comercial chinês.
O foguete Ceres-1 é um veículo de quatro estágios, com propulsão sólida nos três primeiros estágios e um estágio superior líquido, possuindo cerca de 20 metros de altura e capacidade de carga de até 400 kg para a LEO. A constelação Tianqi, beneficiada por este lançamento, constitui a primeira constelação chinesa de IoT em órbita terrestre baixa, fornecendo serviços de dados integrados para setores como agricultura e resposta a emergências. As instituições envolvidas neste período de alta produtividade espacial incluem a Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento (CALT), a CGWIC, a Galactic Energy, o Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan e a startup Guodian Gaoke.
O ritmo operacional da China contrasta com o de anos anteriores; em 2025, o país realizou mais de 77 lançamentos orbitais apenas no segundo semestre, colocando mais de 300 espaçonaves em órbita, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. A execução simultânea de uma entrega de satélite governamental a um parceiro internacional e o lançamento de uma infraestrutura comercial de IoT ilustra a manutenção de um elevado ritmo operacional projetado para o restante de 2026, enquanto a expansão da infraestrutura espacial chinesa continua a ser um ponto de atenção estratégica global.
Fontes
SpaceNews
Chinadaily.com.cn
CGTN
AL24 News
Space.com
Chinadaily.com.cn
