Geração Z Modifica Consumo de Bebidas com Foco em Intencionalidade e Saúde
Editado por: Olga Samsonova
A análise do setor de bebidas revela uma estabilidade na participação da Geração Z no consumo de álcool, mas com uma modalidade de ingestão significativamente mais deliberada e consciente. Este grupo demográfico, compreendido entre nascidos em meados dos anos 1990 e 2010, está reconfigurando rituais sociais historicamente associados ao consumo de substâncias psicoativas. Pesquisas da MindMiner indicam que apenas 45% dos jovens desta coorte consomem bebidas alcoólicas, o índice mais baixo registrado desde 1962, sinalizando uma priorização da saúde física e mental em detrimento da euforia momentânea.
Uma manifestação clara dessa tendência é a ascensão do conceito de "daycap", uma bebida consumida mais cedo no dia, em contraste com o tradicional "nightcap" noturno, conforme apontam especialistas do setor. Essa transição sugere uma preferência por socializações diurnas, como brunches e encontros ao ar livre, onde o consumo se integra à atividade principal, em vez de ser seu foco central. Essa intencionalidade se reflete na seleção criteriosa de produtos, favorecendo opções de menor teor alcoólico, como spritzers, em detrimento de bebidas de maior volume alcoólico.
A busca por clareza e autocontrole constitui um valor central para esta geração, que considera a ressaca, seja ela física ou emocional, um custo inaceitável para o lazer. O foco no bem-estar direciona a seletividade, onde a qualidade do produto supera o volume consumido, com a Geração Z optando por bebidas de maior valor agregado e, notavelmente, reduzindo o número de categorias alcoólicas consumidas por ocasião. Dados da IWSR Drinks Market Analysis projetam um crescimento anual de apenas 1% para o setor alcoólico até 2027, enquanto o mercado de bebidas não alcoólicas deve atingir US$ 3,8 trilhões até 2034, impulsionado por mocktails e kombuchas.
Essa reorientação de mercado obriga empresas tradicionais, como a Ambev, que registrou um crescimento de 20% no segmento zero álcool em 2024, a expandir seus portfólios para atender à demanda por alternativas low-alcohol e no-alcohol. Consequentemente, a inclusão de mocktails e alternativas de baixo teor alcoólico deixou de ser um diferencial para se tornar um item essencial em cardápios de estabelecimentos. A socióloga Mariana Thibes observa que o álcool perdeu seu papel de protagonista na socialização, e a pressão social para consumir está em declínio, com encontros para tomar café superando saídas noturnas para beber para alguns membros deste grupo.
A indústria de bebidas, incluindo o segmento cervejeiro, responde a essa mudança com inovações. O consumo de cervejas zero álcool no Brasil demonstrou um salto significativo, passando de 133 milhões para 752 milhões de litros entre 2018 e 2024, segundo a Euromonitor, com a expectativa de alcançar 1 bilhão de litros até o final de 2025. Esta adaptação reflete a necessidade do mercado de se alinhar com a prioridade da Geração Z em equilibrar a vida social com metas de saúde e autocuidado.
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Fontes
Fox News
Pernod Ricard pushes Pink with Sabrina Brier for Malibu - video - Global Drinks Intel
Aisha Tyler Joins Influential Speaker Lineup at 2026 Bar & Restaurant Expo - Brewbound
Six key drivers shaping beverage alcohol in 2026 and beyond - IWSR
Industry Report Finds Big Shift in Gen Z Drinking Habits - Inc. Magazine
GET READY TO GO "OUT OUT" WITH MALIBU® PINK - PR Newswire
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